Trump tweeta enquanto filha de McCainn o ataca: "A América sempre foi grande"

Senador republicano, que morreu há uma semana vítima de cancro no cérebro, não queria o atual presidente no seu funeral. A sua filha não resistiu e acabou a mandar recado a Trump

Patrícia Viegas
Caixão do senador John McCain, coberto com a bandeira dos EUA, é transportado pelas escadas do Capitólio em Washignton | foto EPA/MARVIN JOSEPH / POOL
Ex-presidente dos EUA, Barack Obama, democrata, lembra como ele e John McCain, republicano, sempre conseguiram ser amigos apesar das diferenças políticas e diferentes visões sobre um mesmo assunto | foto  REUTERS/Chris Wattie
Ex-presidente George W. Bush (republicano) cumprimenta o ex-vice-presidente Al Gore (democrata) | foto EPA/SHAWN THEW
Meghan McCain, filha de John McCain, fez um discurso emocionado no funeral do pai. "O meu pai era um grande homem", disse, criticando, sem nomear Donald Trump, os que usam "retórica barata" para se referir a McCain | foto REUTERS/Chris Wattie
Roberta McCain, mãe de John McCain, com 106 anos, chega ao funeral do filho | foto REUTERS/Joshua Roberts
Caixão de John Mccain, coberto com a bandeira dos EUA, no interior do Capitólio em Washington, rodeado pelas pessoas que foram prestar uma última homenagem ao senador | foto EPA/Morry Gash
Ex-secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, nas cerimónias fúnebres de John McCain
Ex-secretário de Estado dos EUA, John Kerry, nas cerimónias fúnebres de McCain | foto REUTERS/Joshua Roberts
Membros da família McCain nas cerimónias fúnebres do herói da guerra do Vietname | foto EPA/JIM LO SCALZO
John McCain sofria de cancro no cérebro. Morreu aos 81 anos, no dia 25 de agosto, quatro dias antes de fazer 82 | foto Reuters

Enquanto a América rende homenagem a John McCain, com os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush a discursarem no seu funeral, o atual chefe do Estado norte-americano, Donald Trump, passou a manhã a escrever tweets sobre outros assuntos. Nomeadamente sobre a investigação à alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, que classificou, num dos posts, como Fake Dossier.

"O que têm é um Fake Dossier, reunido por Steele, pago pela equipa de Clinton para terem informações sobre Trump. O Dossier é Fake, nada do que está nele foi verificado. Depois é filtrado para o sistema judicial americano com o objetivo de espiar o opositor político de Barack Obama e Hillary Clinton", escreveu o presidente republicano, num dos seis tweets que escreveu este sábado.

Na NAFTA e o Canadá foram outros dos temas em destaque nas publicações do líder dos EUA no Twitter. "...Lembrem-se, a NAFTA é um dos PIORES acordos comerciais alguma vez feitos. Os EUA perderam milhares de negócios e milhões de empregos. Nós somos de longe melhor fora da NAFTA - nunca deveria ter sido assinado. Nem o IVA foi acautelado. Ou fazemos um novo acordo ou vamos para o pré-NAFTA!"

"Que melhor maneira de arrancar sorrisos do que fazer com que eu e George digamos coisas simpáticas sobre ele em frente a todo o país", afirmou Obama, no elogio fúnebre de McCain. O ex-presidente democrata prosseguiu: "John compreendia que o que faz de nós um grande país é que a nossa pertença ao mesmo não é feita com base em linhas de sangue, não no nosso aspeto... mas na nossa adesão a crenças comuns, de que somos todos iguais, perante o Criador". Obama notou que McCain sempre "lutou por uma imprensa livre e independente, que é vital para o debate democrático".

Sem nomear Trump, Obama foi bastante esclarecedor para quem o ouviu: "Muito na nossa política pode parecer pequeno, mau e mesquinho. Caindo no insulto, na controvérsia e raiva fabricada. É a política que finge ser corajosa e, apesar de tudo, nasce do medo. John pediu-nos para sermos maiores do que isso, melhores do que isso".

W. Bush, por seu lado, no discurso que fez, admitiu que ele e McCain passaram da rivalidade à amizade. "Quando o processo de rivalidade se dissolveu, eu pude tirar partido de uma das maiores dádivas da vida, a amizade de John McCain". O ex-presidente republicano afirmou ainda que John McCain "detestava o abuso de poder e não suportava fanáticos e déspotas arrogantes. Ele respeitava a dignidade humana inerente a cada vida, a dignidade que não se esgota nas fronteiras e não pode ser apagada por ditadores."

A família de McCain, que era um duro crítico das atitudes e das decisões de Trump, deixou claro que o senador do Arizona não queria o atual presidente no seu funeral. Apesar de serem ambos republicanos. E foi da filha de McCain, Meghan, que saiu a maior crítica a Donald Trump. Num discurso emocionado, sublinhou: "A América de John McCain não tinha necessidade de se tornar grande, porque a América sempre foi grande", numa referência ao slogan de campanha do atual presidente.

No entanto, a sua filha, o seu genro e o seu conselheiro de Segurança Nacional, respetivamente Ivanka Trump, Jared Kusher e John Bolton, estiveram presentes nas cerimónias fúnebres.

O corpo de McCain, herói da guerra do Vietname (onde chegou a estar preso), esteve em câmara ardente no Capitólio, em Washington, tendo depois sido transportado para a Catedral Nacional de Washington.

Nas cerimónias fúnebres de McCain estiveram também outras figuras como o apresentador de televisão Jay Leno e os ex-secretários de Estado dos EUA Madeleine Albright e John Kerry. McCain, que sofria de um grave cancro no cérebro, morreu aos 81 anos no dia 25 de agosto, quatro dias antes de fazer 82 anos.