Rangel: candidatura de Centeno "pouco falada" na Europa pode ser "trunfo" 

Paulo Rangel afirma que a potencial candidatura de Mário Centeno ao Eurogrupo é "pouco falada na Europa" e isso "pode ser um trunfo". Mas, o social-democrata duvida que o português formalize a candidatura

João Francisco Guerreiro
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O eurodeputado do PSD, Paulo Rangel acredita que as hipóteses de vitória de uma candidatura de Mário Centeno à liderança no Eurogrupo estão dependentes de "um impasse" na escolha entre outros potenciais candidatos, considerando que o "trunfo" do português é ser um nome "pouco falado", na Europa, podendo por essa razão, ser uma solução de "consenso".

"Ao contrário do que sempre se disse em Portugal, a ideia de que Mário Centeno possa ser presidente do Eurogrupo, é uma ideia muito recente. Mesmo assim, não é muito falado. O que, aliás, para ele, pode ser um trunfo, disse o social-democrata, em declarações à TSF/DN.

"Penso que uma candidatura portuguesa só teria hipótese, no caso de haver um impasse e, no ressalto, haver uma solução de consenso. E, portanto, eventualmente, o facto de ninguém falar nessa hipótese e de não a tomarem muito a sério, dá-lhe alguma chance de, se houver um impasse, isso acontecer", admite o eurodeputado.

Rangel acredita que há discussão de bastidores a atrasar as candidaturas que tem mais a ver com questões geopolíticas do que com assuntos partidários.

"Nos 19 países do Eurogrupo, só há cinco governos PPE, só há quatro socialistas e, depois, há seis Liberais e, destes, apenas três são mais fortes. E, mesmo os três Liberais mais fortes, são muito fracos, porque estão em coligações de mais de quatro partidos", disse, frisando que "isto cria, de facto, uma necessidade de negociação feita ao milímetro".

"Isto passará por um grande entendimento entre Merkel e Macron. Mas, mesmo aí serão precisas negociações que passarão mais por um nível geopolítico do que propriamente pela questão ideológica", afirmou, mostrando-se mesmo reticente em relação a uma eventual candidatura de Mário Centeno.

"O meu prognóstico é que ela não vai acontecer. Mas, enfim logo veremos", disse o eurodeputado, sublinhando que existe outras candidaturas "fortes".

No plano geopolitico, Rangel destaca a "candidatura forte" da Eslováquia, que resulta, nomeadamente de "neste momento o leste estar sub-representado e, da Eslováquia ser o único país de Visegrado que está no euro. E isso pode ser um fator importante na reconciliação a Polónia, a República Checa [ou] mesmo a Roménia, que também tem um governo socialista, por sinal".