Prodígio de xadrez de 9 anos tem autorização para ficar no Reino Unido

Oriundo da Índia, o pai de Shreyas Royal recebeu ordem para sair do país. Mas conseguiu uma autorização especial para ficar: afinal, daqui a uns anos, ele poderá ser o primeiro campeão mundial de xadrez inglês

Maria João Caetano
Shreyas Royal joga xadrez desde os cinco anos© Direitos reservados

Shreyas Royal ficou tão feliz quando soube que, afinal, poderia ficar no Reino Unido que começou a dar pulos e a dançar de um lado para o outro. Agora, o rapaz de 9 anos só pensa em concretizar os seus objetivos: "Quero ser o melhor e ser campeão mundial de xadrez aos 18 anos."

A história de Shreyas foi contada em todos os jornais ingleses durante a última semana. Oriundos da Índia, os pais de Shreyas mudaram-se para o Reino Unido quando ele tinha apenas três anos O pai, Jitendra Singh, estava empregado e tinha um visto de trabalho​​​​​. Aos cinco anos, o rapaz começou a aprender xadrez e ficou imediatamente claro que ele tinha uma capacidade especial para este jogo. De então para cá, Shreyas tem representado Inglaterra em competições internacionais.

Entretanto, a família recebeu ordem para sair do país no próximo mês, quando o visto de trabalho expirar, a não ser que o paI tivesse um rendimento superior a 120 mil libras por ano - o que ele não tinha. A família e a Federação Inglesa de Xadrez apelararam à Administração Interna para que impedisse a extradição, alegando que o Shreyas seria um valor para o país.

No início da semana, a família recebeu viu o seu pedido recusado. "Não estava à espera desta resposta", disse o pai. "Existe uma lei que permite visto a pessoas com talentos especiais. O Reino Unido precisa de pessoas como o filho. Além disso, ele está a disputar o Campeonato Britânico neste momento e ficou muito desiludido."

A campanha pelo visto Shreyas Royal passou para a comunicação social e a família apelou diretamente ao ministro da Administração Interna, Sajid Javid, até que na sexta-feira, finalmente, Singh recebeu um email dizendo que o seu pedido tinha sido atendido.

O ministro da Administração Interna explicou que "após analisar cuidadosamente o caso", tomou "a decisão pessoal de permitir que Shreyas e a sua família possam continuar no Reino Unido". "O Reino Unido é um país que promove o talento de nível mundial e Shreyas é um dos melhores jogadores de xadrez da sua geração", explicou. "Sempre fomos claros quanto a querermos um sistema de imigração que acolhe indivíduos com grande talento vindos de todo o mundo."

Jotendra Singh terá agora oportunidade de se candidatar a um visto Tier 2, que é válido por mais cinco anos sem que ele tenha que sair do país. Para tal, conta com o patrocínio da empresa onde trabalha, a Tata Conultant Services, e assim poderá manter a sua família no Reino Unido. Singh tenciona candidatar-se à residência permanente.

À BBC, Leon Watson, presidente do Clude de Xadrez Battersea, de que Shreyas é membro, afirmou que esta notícia é "um alívio enorme" e que daqui a dez anos o poderá ser "um sério candidato a ser o primeiro campeão mundial inglês" da modalidade. "Shreyas é um bom rapaz e tem um grande futuro pela frente", disse.

Também Dominic Lawson, da Federação Inglesa de Xadrez, se manifestou "encantado" com a decisão de permitir a permanência no país do jovem jogador.