Procuravam o avião da Malaysia Airlines e encontraram navios do séc. XIX

Investigadores acreditam que destroços são de antigas embarcações britânicas de transporte de carvão

Paula Freitas Ferreira
 | foto AUSTRALIAN TRANSPORT SAFETY BUREAU
 | foto AUSTRALIAN TRANSPORT SAFETY BUREAU

Os dois navios naufragados que foram encontrados no Oceano Índico, em 2015, durante as buscas aos destroços do avião MH370 da Malaysia Airlines, eram embarcações mercantes que afundaram no século 19. Os navios foram descobertos a 2.300 quilómetros da Austrália e a equipa de investigação acredita que faziam parte de uma frota britânica encarregue de transportar carvão.

Um dos navios, descoberto em dezembro de 2015, foi identificado como tendo sido uma embarcação em ferro. Ross Anderson, curador de arqueologia marítima do Western Australian Museum, disse que provavelmente este foi um destes três navios: o West Ridge (que foi dado como desaparecido em 1883), o Kooringa (1894) ou o Lago Ontário (1897).

As provas apontam para o naufrágio do navio como resultado de um evento catastrófico, como uma explosão, o que era comum no transporte de cargas de carvão

Os investigadores acreditam que será muito provavelmente o West Ridge, que desapareceu com 28 tripulantes durante uma viagem de Inglaterra para a Índia. O navio pesava entre 1000 a 1500 toneladas. Segundo Ross Anderson, citado pela BBC, o navio foi encontrado relativamente intacto e em posição vertical no fundo do mar.

O outro navio encontrado estava a cerca de 36 km de distância daquele que tudo indica ser o West Ridge e foi detetado em maio de 2015. Neste caso, o casco era de madeira.

Estes são os destroços mais profundos até agora localizados no Oceano Índico, são alguns dos mais remotos naufrágios do mundo

"As provas apontam para o naufrágio do navio como resultado de um evento catastrófico, como uma explosão, o que era comum no transporte de cargas de carvão", revelou o investigador.

No entanto, Anderson duvida que seja possível confirmar com segurança a identidade dos dois destroços. Seria necessário ter o apoio de um benfeitor privado com bastante dinheiro, tendo em conta a profundidade em que estão as embarcações.

"Estes são os destroços mais profundos até agora localizados no Oceano Índico, são alguns dos mais remotos naufrágios do mundo", disse o curador australiano ao The Guardian.

A localização do MH370 permanece desconhecida mais de quatro anos depois do avião ter desaparecido com 239 pessoas a bordo, quando fazia a ligação entre Kuala Lumpur e Pequim. As buscas infrutíferas foram dadas como terminadas em janeiro de 2016, quando passavam 1046 dias da data do misterioso desaparecimento da aeronave.

Uma empresa privada norte-americana começou a procurar o aparelho no início de 2018, mas até agora ainda não foi encontrada qualquer pista.