Prisão domiciliária para antigo arcebispo australiano condenado por encobrir abusos sexuais

No final de julho, o papa Francisco aceitou a renúncia de Philip Wilson, o mais alto responsável na hierarquia da igreja católica a ser condenado judicialmente pelo envolvimento num caso de pedofilia

Susete Henriques
O arcebispo australiano Philip Wilson© AAP/Darren Pateman/via REUTERS

O antigo arcebispo australiano Philip Wilson, condenado em julho a 12 meses de cadeia por encobrir crimes de abuso sexual de menores, vai cumprir a pena em prisão domiciliária, foi esta terça-feira anunciado.

O magistrado de Newcastle, Robert Stone, decidiu que Philip Wilson deverá cumprir pelo menos seis meses de prisão domiciliária antes de ser considerado elegível para um regime de liberdade condicional.

O mesmo juiz já tinha considerado, em maio, que o arcebispo, de 67 anos, era culpado por não ter informado a polícia sobre o abuso repetido de duas crianças, nos anos 70 do século passado, pelo padre James Fletcher, com quem colaborava na diocese de Maitland-Newcastle.

Fletcher foi condenado em 2004 a oito anos de prisão por nove casos de abuso sexual, mas morreu 13 meses depois, na sequência de um enfarte.

A igreja católica, com forte presença na Austrália, recebeu mais de 4 500 queixas por alegados abusos cometidos por mais de 1 800 membros da instituição, entre 1980 e 2015

Durante o julgamento, a defesa argumentou que o arcebispo, recentemente diagnosticado com a doença de Alzheimer, foi incapaz de comparecer perante o juiz devido ao impacto da doença nas "funções cognitivas".

Em finais de julho, o papa Francisco aceitou a renúncia de Wilson, o mais alto responsável na hierarquia da Igreja Católica a ser condenado judicialmente pelo envolvimento num caso de pedofilia.

A Igreja católica, com forte presença na Austrália, recebeu mais de 4.500 queixas por alegados abusos cometidos por mais de 1.800 membros da instituição, entre 1980 e 2015, embora alguns casos datem dos anos de 1920.

No início deste ano, vários arcebispos australianos condenaram a fraca resposta da Igreja católica aos casos de pedofilia, classificando-a de "negligência criminosa".