Presidente de Cabo-Verde nega mal-estar com a Guiné-Equatorial na cimeira da CPLP

Jorge Carlos Fonseca garantiu que não foi apresentada mais nenhuma candidatura, além da de Angola, para presidir a CPLP a seguir a Cabo Verde, ou seja, em 2020.

Patrícia Viegas
Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, discursa durante a cimeira da CPLP na ilha do Sal | foto TIAGO PETINGA/LUSA
Presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang, na cimeira da CPLP em Cabo Verde | foto TIAGO PETINGA/LUSA

O presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, garantiu esta quarta-feira que a proposta de Angola assumir a presidência da CPLP em 2020 foi feita por Cabo Verde e secundada por Portugal.

Em conferência de imprensa, no final da XII cimeira da CPLP, Jorge Carlos Fonseca negou que tenha havido qualquer mal-estar com a Guiné Equatorial, afirmando que a proposta de presidência angolana foi aprovada por aclamação, inclusive com o apoio do presidente guineense Teodoro Obiang.

"Houve uma candidatura que foi proposta que foi a de Angola, Angola aceitou e foi a proposta aceite por unanimidade e, se me lembro bem, até por aclamação. Portanto, não houve, durante a reunião restrita, nenhuma outra candidatura. Pronunciaram-se alguns chefes do Estado, o presidente de Angola [João Lourenço] agradeceu e aplaudimos. Não houve nenhuma outra proposta. Relativamente ao presidente da Guiné-Equatorial, era para regressar logo ontem à noite e fez questão de estar presente ainda hoje de manhã na reunião restrita. Ele mesmo apoiou a escolha de Angola para acolher a próxima cimeira", declarou aos jornalistas o chefe do Estado cabo-verdiano, anfitrião da XII cimeira da CPLP, que decorreu terça e quarta-feira na ilha do Sal.

Na reunião restrita também foi abordada a situação na Guiné-Equatorial e o cumprimento do seu roteiro de adesão à CPLP, a qual aconteceu em 2014. Jorge Carlos Fonseca afirmou que Obiang, no poder na ex-colónia espanhola desde 1979, deu informações sobre o progressos em termos de promoção da língua portuguesa e integração na comunidade, mas sem fazer nenhuma referência à questão da abolição da pena de morte. Apesar de ter parado as execuções, a Guiné-Equatorial continua com a pena capital inscrita na sua Constituição.

"Não houve nenhuma referência específica. Falou-se do contexto político, da democracia, do estado de Direito, que os pilares fundamentais do estado de Direito e da CPLP são os direitos fundamentais, liberdade, etc,..", confirmou o presidente de Cabo Verde aos jornalistas, no final da cimeira de chefes do Estado e do Governo no Sal.

Durante a cimeira foi ainda aprovado o nome do diplomata português Francisco Ribeiro Telles, ex-embaixador em capitais como Luanda e Brasília como o próximo secretário executivo da CPLP, funções que comerá a exercer em janeiro do próximo ano.

Na ilha do Sal,
Cabo Verde