João Lourenço admite que questão de migrações envergonha África

O presidente de Angola afirmou esta quarta-feira em Estrasburgo que a questão dos fluxos migratórios são motivo "de vergonha"

Patrícia Viegas
João Lourenço tornou-se esta quarta-feira o primeiro presidente de Angola a discursar no Parlamento Europeu© REUTERS/Vincent Kessler

O presidente angolano, João Lourenço, considera "uma vergonha" o que se está a passar no Mediterrâneo.

A falar em Estrasburgo, à margem do discurso perante o Parlamento Europeu, o presidente angolano, João Lourenço disse que África precisa de soluções duradouras, esperando um contributo da União Europeia a esse nível.

"Soluções duradouras são aquelas que garantam o desenvolvimento do continente, a criação de emprego, a criação de riqueza, de maior estabilidade", nomeou, considerando que "isso só se consegue num quadro multilateral e tendo a consciência de que é uma solução que não se vai encontrar ao fim de dois [ou] três anos".

O presidente angolano admite que Portugal também pode dar um contributo, com determinado tipo de investimento, nomeadamente "aquele que cria emprego", considerando que "investir em infraestruturas (...) cria condições para atrair outros investimentos".

"Nenhum governante quer ver os seus filhos abandonar o país e sobretudo naquelas condições desumanas em que o processo está a decorrer"



João Lourenço reconhece que pode demorar meses ou anos para que haja soluções duradouras para um problema que considera "uma vergonha para todos".

"Todos nós nos sentimos envergonhados com o que se está a passar neste momento. Nenhum governante quer ver os seus filhos abandonar o país e sobretudo naquelas condições desumanas em que o processo está a decorrer", disse.

Em Bruxelas.