Obama entra na campanha eleitoral e lança duros ataques a Trump

Ex-presidente apelou ao voto nas legislativas de novembro e acusou Donald Trump de estar "a capitalizar os ressentimentos que os políticos têm alimentado durante anos"

Nuno Fernandes
© EUTERS/John Gress

Barack Obama rompeu o silêncio esta sexta-feira sobre as legislativas dos Estados Unidos que se realizam em novembro e lançou duros ataques ao presidente Donald Trump, durante uma conferência com milhares de jovens estudantes na Universidade de Illinois onde chamou a atenção para os "perigos" dos tempos atuais.

"Têm de votar, a nossa democracia depende disso. [Esta tensão política] não começou com Donald Trump. Ele é um sintoma, não a causa. Está simplesmente a capitalizar os ressentimentos que os políticos têm alimentado durante anos. Um medo, uma raiva que está enraizada no nosso passado. Estou aqui hoje porque este é um dos momentos cruciais onde cada um de nós, como cidadãos dos Estados Unidos, temos que decidir quem somos e pelo que lutamos", referiu.

Apesar de no discurso ter mencionado apenas duas vezes o nome de Donald Trump, não ficaram dúvidas de que se referia ao homem que o sucedeu na presidência em 2017. E prosseguiu os ataques. "Não devem ser democratas ou republicanos a dizer que não temos como alvo grupos de pessoas por causa da sua aparência ou como rezam. Devemos enfrentar a discriminação", atirou, criticando também as pressões exercidas pelo atual presidente sobre a justiça e em especial o FBI.

Obama atacou também duramente o Partido Republicano por não funcionar como um elemento de controlo sobre o poder de Trump, considerando por isso que as eleições de novembro "são as mais importantes" que presenciou, apelando ao voto em massa numa tentativa de os cidadãos poderem "restaurar a honestidade, a decência e a legitimidade": "A única forma de denunciarmos abusos de poder é através do nosso voto", referiu.