Navio da ONG Lifeline está retido em Malta e capitão foi interrogado

As autoridades estão a tentar esclarecer a quem realmente pertence o navio

DN/Lusa
O navio da organização não-governamental Lifeline em Malta | foto EPA/DOMENIC AQUILINA
Equipa de paramédicos de Malta ajudam os imigrantes do navio Lifeline | foto EPA/DOMENIC AQUILINA
 | foto REUTERS/Darrin Zammit Lupi
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O navio da ONG alemã Lifeline, que atracou na quarta-feira em Malta para desembarcar 233 imigrantes, foi retido como medida de precaução e o seu capitão, Claus-Peter Reisch, foi interrogado durante a noite, noticia esta quinta-feira o jornal Maltatoday.

O diário maltês, citando fontes próximas da investigação, referiu que as autoridades estão a tentar esclarecer a quem realmente pertence o navio e investiga-se também porque o barco agiu como um navio de resgate quando está registado como barco de recreio na Holanda.

Todos os imigrantes, incluindo 17 mulheres e cinco crianças, foram levados para um abrigo em Marsa, com exceção de três crianças e um adulto que foram hospitalizados

Até ao momento, nenhuma ação foi tomada contra os oito membros da tripulação e um fotógrafo italiano que estavam a bordo.

Todos os imigrantes, incluindo 17 mulheres e cinco crianças, foram levados para um abrigo em Marsa, com exceção de três crianças e um adulto que foram hospitalizados.

Entre os imigrantes havia um rapaz de dois anos e meio que viajava sozinho e não se sabe onde está o resto da família.

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, já havia anunciado que uma investigação seria aberta contra o capitão por não ter atendido as ordens dadas pelos Centros de Coordenação de Resgate da Líbia e de Itália.

É importante sublinhar que a única ordem que o navio se recusou foi a entregar pessoas ao chamado Serviço de Guarda Costeira da Líbia, já que este não respeita a Convenção de Genebra sobre os Refugiados e, portanto, é ilegal

A organização não-governamental alemã respondeu que essas acusações "são falsas".

"É importante sublinhar que a única ordem que o navio se recusou foi a entregar pessoas ao chamado Serviço de Guarda Costeira da Líbia, já que este não respeita a Convenção de Genebra sobre os Refugiados e, portanto, é ilegal", acrescentou a ONG.

A organização explicou que, a 21 de junho, "depois de solicitar às autoridades líbias a que porto seguro poderia dirigir-se, o navio recebeu a resposta, referindo que deveria desembarcar em Trípoli, o que teria sido uma violação do princípio de não-devolução".

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, anunciou esta quinta-feira que permitiria o acesso do barco da ONG ao seu porto, após chegar a um acordo para distribuir os refugiados por oito países da União Europeia (Malta, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal, França, Bélgica e Holanda).

O caso lembra o que viveu a ONG espanhola Open Arms, que depois de passar vários dias a esperar para desembarcar, o navio foi retido e o seu capitão e a responsável da missão investigados por facilitar a imigração ilegal.

O navio da Open Arms foi finalmente libertado, mas a investigação sobre o capitão e da agente humanitária continua.