Multa de 990 euros para pais que viveram com filho morto um mês

Criança morreu vítima de um ataque de asma. Casal não procurou ajuda médica e disse ter pensado que o menor estava a dormir

Paula Freitas Ferreira
© REUTERS/GONZALO FUENTES

Bruce Edwin Hopkins e Schrell Darlene Hopkins, os pais da criança de oito anos que morreu vítima de um grave ataque de asma sem receber ajuda médica, foram condenados a uma pena de 11 meses com uma multa diária de 3 euros por homicídio por negligência pouco grave, com a agravante do parentesco. Somados os dias, os pais vão ter de pagar 990 euros por não terem levado o filho ao hospital, deixando-o morrer e convivendo com o cadáver do menino durante um mês.

Na sentença foi referido que a criança precisava de assistência hospital e que esta não foi providenciada pelos pais.

O casal voltou a afirmar que o filho "só esteve doente um dia", de acordo com o El País, e que acreditavam que estivesse a dormir, mas que já sabiam que a criança tinha morrido quando a polícia entrou em sua casa, na localidade de Girona, em Espanha, no dia 5 de janeiro de 2016.

Na sentença, da qual os pais podem recorrer, a juíza considera provado que "entre o final de novembro e começo de dezembro de 2015" o menor sofreu uma crise asmática que necessitava de assistência médica especializada. Os seus pais, "que tinham consciência da gravidade do quadro e desconfiavam do sistema de saúde, não chamaram a emergência nem pediram ajuda de terceiros".

A resolução judicial determina que a declaração dos pais foi "clara, precisa e congruente", já que ambos reconheceram que o filho "tinha tido uma crise asmática, mas que se recuperou da mesma, foi dormir e não despertou", citou o mesmo jornal.

No final de novembro, o Ministério Público espanhol tinha pedido uma pena de 3 anos e 3 meses de prisão por considerar os pais culpados de homicídio por imprudência grave, com a agravante de parentesco.

De acordo com a juíza, "não existe nenhuma prova direta" dos argumentos usados pela acusação, que disse que "os pais, sendo conscientes do grave risco da saúde do menor, conscientes que poderia levar à morte, não chamaram a emergência para ser submetido a um tratamento adequado", uma vez que a família Hopkins vivia em situação de isolamento.

O casal vivia com mais dois filhos menores e as três crianças não frequentavam a escola e raramente eram vistas em público.

O advogado de defesa pediu a absolvição porque entendia que os pais sempre deram à criança o cuidado e tratamento necessários, tanto o tradicional como o homeopático, e que não tinham responsabilidade direta na morte.