"Não é meu." Pompeo nega ter escrito artigo anónimo sobre administração Trump

Pompeo acusou os media de tentarem sabotar a administração Trump

Patrícia Jesus
© Andrew Harnik via REUTERS

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, negou esta quinta-feira ser o autor do artigo de opinião anónimo que afirma existir, na Casa Branca, uma "resistência" interna para frustrar as "piores inclinações" do Presidente Donald Trump.

"Não é meu", disse Pompeo em Nova Deli, após um encontro com autoridades indianas, adiantando que "não devia ser surpresa" a publicação de "tal artigo" pelo New York Times.

O jornal publicou, na quarta-feira, um artigo anónimo, adiantando ser da autoria de um alto funcionário da Administração Trump. No artigo, o referido responsável diz fazer parte da "resistência interna" que trabalha para frustrar "as piores inclinações" do presidente norte-americano.

Mike Pompeo considerou que, se o artigo foi de facto escrito por um alto funcionário da administração, o jornal não deveria dar crédito às "falsas" alegações de um "ator descontente".

Pompeo acusou os media de tentarem sabotar a administração Trump, o que classificou como "incrivelmente perturbador".

O jornal justificou a publicação anónima do artigo por ser "a única forma de dar uma perspetiva importante" aos seus leitores.

Numa reação, quarta-feira, através da sua conta no Twitter, Donald Trump defendeu a divulgação do nome do autor do texto. "Se essa pessoa anónima cobarde existe, o Times deve, por razões de segurança nacional, entregá-lo(a) ao Governo imediatamente", disse.

"Então o fracassado New York Times tem uma coluna anónima? Dá para acreditar? Anónima. O que quer dizer cobarde. Uma coluna cobarde", disse ainda Donald Trump, numa outra reação, durante uma reunião na Casa Branca com congressistas.

Por seu lado, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, exigiu ao autor do texto que se "demita".

O slto funcionário revelou, no texto, que um amplo grupo de funcionários que trabalham para o Presidente se esforça conjuntamente para anular algumas das políticas que consideram mais gravosas.

O artigo começa por sublinhar que o maior desafio que Trump enfrenta é que "muitos funcionários seniores da sua Administração estão a trabalhar diligentemente, por dentro, para frustrar parte dos seus objetivos e das piores tendências".

O autor do texto esclarece, por outro lado, que os esforços para anular algumas das iniciativas de Trump não partem de uma "resistência popular da esquerda".

"Queremos que a Administração tenha êxito e queremos que muitas das políticas tenham eco e que os EUA sejam mais seguros e prósperos", concretiza a fonte.

No texto refere-se que a raiz do problema da atual Administração norte-americana é a falta de moralidade do Presidente e sustenta-se que, apesar de ter sido eleito como representante do partido republicano, não defende as ideias dos conservadores, como a liberdade de pensamento ou a liberdade do mercado.