Acordo alcançado na UE não resolve problemas no sistema de asilo

ONG concluiu que o Conselho Europeu "não conseguiu chegar a acordo sobre uma reforma do sistema comum de asilo"

Rui Salvador
© REUTERS /KAI PFAFFENBACH

A Oxfam defendeu esta sexta-feira que o acordo sobre migrações alcançado no Conselho Europeu "coloca as responsabilidades em países fora da União Europeia (UE)" e traz consigo "a criação, de facto, de mais centros de detenção de imigrantes".

"Quando mais se necessita da liderança europeia para enfrentar os problemas globais, a UE só responde aos seus problemas internos e não corrige os erros do seu atual sistema de asilo", declarou o assessor para a imigração da organização não-governamental (ONG), Raphael Shilhav, num comunicado.

Shilhav afirmou que um sistema de asilo eficaz e bem gerido "vai muito para além dos centros de desembarque" e é fundamental "para promover a saúde da cultura e economia europeias".

"A política europeia sobre esta questão não deve ser utilizada em jogos políticos entre os Estados-Membros, em detrimento daqueles que mais necessitam. Faz falta um acordo que melhore a vida de todas as pessoas na Europa, sejam estas cidadãos, refugiados ou recém-chegados", disse o representante da Oxfam.

A ONG concluiu que o Conselho Europeu "não conseguiu chegar a acordo sobre uma reforma do sistema comum de asilo" e que, embora acolha favoravelmente qualquer acordo sobre migração, este não deveria ter um impacto negativo sobre os refugiados e os migrantes.

Os líderes da União Europeia chegaram a um acordo, nesta madrugada, para criar voluntariamente nos Estados-membros centros "controlados" para separar os refugiados, com direito de permanecer na UE, dos imigrantes económicos, que seriam devolvidos aos seus países de origem.