Melania e Laura Bush contra Trump. Crianças em gaiolas na fronteira do Texas

Crianças encontradas em gaiolas no Texas. Melania já criticou a política do marido. Laura Bush compara medidas de Trump a campos de prisioneiros de guerra.

LusaPaula Freitas Ferreira
 | foto US Customs and Border Patrol
 | foto EPA /JIM LO SCALZO
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Não é habitual ouvirmos de Melania Trump um comentário político, sobretudo quando o que está em causa é uma diretiva da administração do seu marido, como a nova política para a imigração que até agora já separou cerca de 2000 crianças dos seus pais. Melania disse publicamente que "odeia ver" famílias separadas na fronteira.


Também a ex-primeira-dama Laura Bush criticou a política de Trump de separar famílias, afirmando que essa realidade a faz recordar do internamento de nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Laura Bush escreveu que os centros de detenção onde estas crianças têm vivido eram "estranhamente reminiscentes" aos que foram criados para manter reclusos os nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial.

Entretanto, relatos de jornalistas, citados pela Associated Press, dão conta de que centenas dessas crianças estão trancadas em gaiolas num antigo armazém, na fronteira do Texas. Segundo as autoridades da fronteira, dos 1200 imigrantes que estão detidos nesse armazém dividido em caixas de metal, cerca de 200 são menores não acompanhados pelos pais.

Em cada uma das gaiolas - em algumas delas estão vinte menores - são espalhadas garrafas de água, sacos de batatas fritas e grandes folhas de papel que são usadas como cobertores. As luzes estão acesas 24 horas por dia. Sem adultos por perto, são as crianças maiores que acabam por ter de trocar as fraldas das crianças mais pequenas.

Enquanto Donald Trump se preparava para reunir com os legisladores para discutir a última crise de imigrantes,

Melania emitiu uma declaração, apelando para que se encontre uma solução para o problema.

Melania Trump "detesta ver crianças separadas das suas famílias e espera que os dois lados do corredor possam finalmente unir-se para alcançar uma reforma da [política] de imigração bem sucedida", disse a diretora de comunicação da primeira-dama dos EUA, Stephanie Grisham, à CNN.

Na mesma declaração, a responsável disse que Melania "acredita que temos de ser um país que segue as leis, mas também um país que governa com o coração".

Num editorial publicado este domingo no jornal Washington Post, e intitulado: "Laura Bush: separar crianças dos seus pais na fronteira `parte-me o coração', a ex-primeira-dama critica a política de "tolerância zero" de Donald Trump, classificando-a de "cruel" e "imoral". Entre a opinião pública norte-americano crescem também as críticas contra as centenas de crianças que atualmente estão a viver em centros de detenção.

"Os americanos orgulham-se de ser uma nação moral, que envia ajuda humanitária para lugares devastados por desastres naturais, fome ou guerra", escreveu. 'Orgulhamo-nos por acreditarmos que as pessoas devem ser vistas pelo conteúdo do seu caráter, não pela cor da pele. Temos orgulho na aceitação. Se somos verdadeiramente esse país, então é nossa obrigação reunir essas crianças detidas com os seus pais - e, em primeiro lugar, parar de separar pais e filhos".

Desde maio que o Governo de Donald Trump tem acusado todos os adultos apanhados a atravessar ilegalmente a fronteira de crimes federais e não encaminha os imigrantes com filhos para os tribunais de imigração, como era o procedimento das administrações anteriores.

As autoridades norte-americanas revelaram esta sexta-feira que cerca de 2.000 crianças foram separadas das suas famílias na fronteira com os EUA, entre meados de abril e o final de maio.

O alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Zeid Ra'ad al-Hussein, pediu esta segunda-feira aos Estados Unidos que "acabem imediatamente" com a separação de crianças migrantes dos seus pais.