Maduro denuncia "perseguição" internacional contra a Venezuela

Maduro declarou em "sessão permanente" o Conselho de Defesa do país

Lusa
O presidente da Venezuela Nicolás Maduro falou esta quarta-feira no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas© REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou esta quarta-feira que forças internacionais estão a "perseguir" a Venezuela e declarou em "sessão permanente" o Conselho de Defesa do país.

"A Venezuela é objeto de perseguição internacional e nós estamos obrigados a condenar qualquer tentativa de intervenção", disse.

Nicolás Maduro falava no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, onde presidiu ao Conselho de Defesa da Nação e anunciou que ativou o "artigo 323 da Carta Magna, sobre a Segurança da Nação, para que se ativem todos os organismos de debate", lamentando no entanto a ausência de Henry Ramos Allup, presidente do parlamento, onde a oposição detém a maioria.

"Lamento muito que o presidente da Assembleia Nacional continue em desacato e não queira dialogar. Aqui está a sua cadeira vazia", disse.

Henry Ramos Allup disse a jornalistas que não compareceu no palácio de Miraflores por tratar-se de uma reunião em que seria feita "uma acusação" contra o parlamento, para converter o poder Legislativo num "réu" do Governo.

"Não vou assistir a esse teatro. Não é possível que usem o Conselho para montar um 'show' do Governo contra a Assembleia Nacional", disse.

Durante o Conselho de Defesa o Presidente venezuelano recordou que aquele "instrumento" foi ativado pela primeira vez em março de 2015, quando Barack Obama declarou que a situação venezuelana era "uma ameaça" para a segurança interna norte-americana.

"Uma ameaça que ficará como uma mancha para a história e a vida de (Barack) Obama", frisou Maduro.

"Quero que nos instalemos em sessão permanente para atender esta conjuntura de fim de ano 2016, com o maior critério e sabedoria possível, para que por cima de todas as cosas reine a paz", disse.

Por outro lado pediu propostas sobre a economia e propôs que seja ativada uma comissão da verdade e compensação das vítimas, "porque a Venezuela deve fechar o capítulo da violência política".