Macron: "A Europa já não pode delegar a sua segurança apenas aos Estados Unidos"

O Presidente francês Emmanuel Macron quer um acordo europeu na área da segurança. O anúncio foi feito, no palácio do Eliseu, durante a apresentação das orientações diplomáticas aos 250 embaixadores franceses

Paulo Pena
O presidente francês, Emmanuel Macron© EPA/PHILIPPE WOJAZER/POOL

Durante seu discurso, esta segunda-feira, o chefe de Estado francês anunciou que vai apresentar "nos próximos meses", uma proposta para o reforço da segurança na Europa. O principal argumento de Emmanuel Macron, cheio de significado político, aponta para o afastamento entre a União Europeia e os EUA.

Afirmando que a Europa já não pode depender exclusivamente dos Estados Unidos para garantir a sua segurança, Macron avançou a proposta: "Cabe-nos a nós hoje assumir a responsabilidade e garantir a segurança e, portanto, a soberania europeia."

"Devemos tirar todas as consequências do fim da guerra fria", acrescentou Macron. Daí a necessidade de uma "reflexão abrangente sobre esses temas com todos os parceiros da Europa e, também, com a Rússia".

Para Macron, que avaliou subtilmente a tensão entre Bruxelas e Washington, se "as alianças ainda têm toda a sua relevância, (...) os equilíbrios, às vezes os automatismos, sobre os quais foram construídas, devem ser revisitados".

Por isso, Macron quer "revisitar a arquitetura europeia de defesa e segurança" e lançar "um novo diálogo sobre segurança cibernética, armas químicas, armas convencionais, conflitos territoriais, segurança no espaço e proteção das regiões polares, em particular com Rússia".