Líder da Amazon britânica alertou para risco de agitação civil em caso de não acordo sobre o Brexit

Empresa de comércio eletrónico não confirmou as declarações de Doug Gurr, mas admitiu estar a planear uma vasta gama de opções em caso de saída desordenada do Reino Unido da União Europeia

Helena TecedeiroRúben Ramalho
© EPA/FRIEDEMANN VOGEL

O líder da Amazon no Reino Unido alertou para a possibilidade de o país vir a enfrentar uma "agitação civil", caso não haja acordo sobre o Brexit que abranja as tarifas comerciais.

Doug Gurr exprimiu esta preocupação na última sexta-feira numa cimeira que contou com a participação do ministro para o Brexit, Dominic Raab, e um grupo de empresários, entre os quais o presidente do Barclays, Ian Cheshire, o presidente da cadeia de supermercados Morrisons, Andy Higginson, o CEO da companhia de seguros Lloyd's of London, Inga Beale, e a presidente da Shell no país, Sinead Lynch.

A Amazon não confirmou se Gurr fez estas observações, divulgadas no The Times, mas admitiu estar a planear uma vasta gama de resultados.

"Tal como em qualquer negócio, consideramos uma ampla gama de cenários no planeamento de discussões, para que possamos continuar a servir os clientes e pequenas empresas que confiam na Amazon, mesmo que esses cenários sejam improváveis", afirmou um porta-voz da empresa, em declarações ao jornal britânico The Guardian , acrescentando que "isto não é específico para qualquer problema, é a forma como planeamos qualquer número de problemas em todo o mundo".

Por outro lado, empresas como a Airbus ou a Jaguar Land Rover ponderaram a hipótese de transferirem as respetivas instalações e investirem em outros países, enquanto a Ryanair acredita na possibilidade de existir um cenário de falta de acordo em relação ao Brexit.

"Mantemos as nossas preocupações sobre o perigo de um hard brexit (sem acordo) em março de 2019. Enquanto há uma perspetiva de que um acordo de transição de 21 meses entre março de 2019 e dezembro de 2020 seja implementado (e estendido), foram adicionados a esta incerteza eventos recentes na esfera política do Reino Unido, e nós consideramos que um risco de um Brexit duro está a ser subestimado", salientou a companhia aérea irlandesa num comunicado divulgado esta segunda-feira.

Dominic Raab terá apontado irresponsabilidades à Comissão Europeia relativamente às denúncias de riscos inerentes a uma falta de acordo sobre o Brexit para os cidadãos da União Europeia que vivem no Reino Unido. Para fundamentar os seus argumentos, Raab descreveu numa entrevista ao programa The Andrew Marr Show, transmitido pela BBC, um documento publicado por Bruxelas na última semana que destaca o risco de o Reino Unido deixar a União Europeia sem acordo como sendo "uma tentativa de aumentar a pressão".

Do mesmo modo, afirmou ao jornal The Sun que este cenário poderá levar ao armazenamento de alimentos processados por parte do governo britânico. "Acho que é inútil este tipo de trechos seletivos que entram nos media, uma vez que o público presta atenção a isso", afirmou.