Juncker envolvido em caso de escutas ilegais e adulteração de conversas

Juiz abriu investigação relativa a uma altura em que o presidente da Comissão Europeia era primeiro-ministro do Luxemburgo

Rui Salvador
© EPA/OLIVIER HOSLET

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, pode ser envolvido num processo judicial no Luxemburgo, país de que foi primeiro-ministro entre 1995 e 2013, num caso em que são investigadas alegadas escutas ilegais efetuadas pelos serviços secretos luxemburgueses. A investigação incide em alegações de que foram adulteradas provas num inquérito sobre escutas.

A notícia é avançada pelo The Times, que refere que Juncker terá pela frente acusações de que funcionários seus apresentaram informações falsas, sob juramento, sobre o referido inquérito.

O juiz Eric Shammo instaurou o inquérito a 4 de dezembro e tenta perceber se quem trabalhava em 2007 com o líder da Comissão Europeia falsificou dados que apresentaram ao Parlamento do Luxemburgo e também às autoridades e tribunais.

Os funcionários podem também ser responsáveis por uma transcrição incompleta de uma conversa gravada, o que pode disfarçar um alegado envolvimento de Juncker no caso. A mesma publicação refere que o tribunal pretende saber se foram falsificadas provas na investigação, primeiro parlamentar e depois judicial, efetuada em 2012 e 2013.

Nas referidas investigações, que envolvem exatamente escutas ilegais, Marco Mille, ex-diretor dos serviços secretos do Luxemburgo, é o principal suspeito.

A transcrição adulterada será de uma conversa entre Juncker e Mille, de forma a esconder o envolvimento do ex-primeiro-ministro luxemburguês na autorização de escutas a Loris Mariotto, empresário que acusou a família grão-ducal daquele país de envolvimento em atentados terroristas na década de 1980.

Na esfera do mesmo processo, e em tribunal, Marco Mille afirmou: "A falsificação de provas e a deliberada prestação de falsas informações ao parlamento, as autoridades judiciais e, em último caso, às pessoas, são um ataque à lei".