Igor o Russo, o mais procurado em Itália, preso em Espanha após homicídios

Ex-militar sérvio matou duas pessoas em Itália e desapareceu durante meses, deixando populações em pânico. Foi detido esta sexta-feira, após assassinar três pessoas, incluindo dois polícias, em Espanha

DN
A foto de Nobert Feher, conhecido como Igor o Russo, na ficha da polícia italiana

Chama-se Norbert Feher, tem nacionalidade sérvia, mas é conhecido como Igor o Russo. Foi detido na madrugada desta sexta-feira em Espanha, em Cantavieja, Aragão, depois de assassinar três pessoas, um engenheiro agrónomo e dois agentes da Guardia Civil, mas em Itália era procurado desde o início do mês de abril: matara o dono de um bar em Budrio, na província de Bolonha, e um guarda florestal poucos dias depois.

A polícia perdeu-lhe o rasto e, desde essa altura, era procurado até pelos serviços secretos italianos. A fuga terminou esta sexta-feira em Espanha, onde uma patrulha da Guardia Civil o apanhou na estrada. Seguia a pé, após ter tido um acidente com a carrinha em que fugira e, segundo a imprensa espanhola, entregou-se sem oferecer resistência. O homem de 41 anos estava fortemente armado e tinha com ele, inclusivamente, as armas que roubara aos agentes da Guardia Civil que assassinara oito horas antes.

Tudo começou em Itália a 1 de abril, conta o El País. Igor o Russo entrou num bar e ameaçou de morte o proprietário, exigindo-lhe o dinheiro da caixa. O homem aproximou-se dele e conseguiu tirar-lhe a arma, mas acabou morto: Igor sacou de uma pistola e deu-lhe um tiro no peito. O sérvio estava em Itália desde 2006, mas já tinha sido preso durante oito anos. O bom comportamento na cadeia permitiu-lhe cumprir menos 21 meses. Assim que saiu, participou num roubo com agressão sexual, antes de matar o dono do bar. Dias depois deste homicídio, matou também um guarda-florestal italiano, deixando ferido um colega deste. Começou então a caça ao homem, nas províncias de Ferrara e Bolonha, com participação do exército, recurso a cães pisteiros e até drones.

A investigação viria a revelar que Igor o Russo era extremamente perigoso e usava técnicas militares para despistar os perseguidores. O ex-militar sérvio é ainda perito em tiro com arco, artes marciais e no manejamento de armas de fogo - o que explica que fosse capaz de matar os agentes da Guardia Civil espanhola ainda que estes estivessem protegidos com coletes antibalas.

Em Itália, a caça ao homem deixou as populações em pânico: nas zonas onde a polícia julgava que Igor podia estar escondido, os vizinhos deixavam no exterior das casas comida e bebida, para que ele não os ameaçasse. Um médium chegou a oferecer-se para dar pistas à polícia sobre o paradeiro do criminoso, que começou a ser avistado um pouco por todo o país.

Perante o histerismo nacional, o ministro do Interior italiano, Marco Minniti, prometeu que Igor seria capturado e que a polícia não descansaria até encontrá-lo. O governante já veio entretanto agradecer a detenção às autoridades espanholas. "Foi uma situação bastante dramática", disse, citado pelo jornal Corriere della Sera, acrescentando que as autoridades italianas colaboraram com a polícia espanhola: um grupo das operações especiais dos Carabinieri tinha estado em Espanha recentemente para assinalar locais onde se suspeitava que o criminosos pudesse estar escondido. A investigação italiana alargou-se igualmente à Áustria e à Hungria, países onde Igor deixara contactos.

Durante o inquérito para encontrar o ex-militar sérvio, a polícia italiana conseguiu relacioná-lo com um outro homicídio, cometido em Ferrara em abril de 2015: um reformado foi morto durante um assalto à casa onde vivia. As armas usadas denunciaram o agressor.

Em Espanha, Igor o Russo foi localizado durante as buscas para encontrar o suspeito de um tiroteio inexplicado que aconteceu a 5 de dezembro na zona de Teruel, em Aragão. Desde esse dia que a Guardia Civil montara um importante dispositivo policial na região e contava com o apoio de alguns latifundiários que auxiliavam os agentes nas operações. O sérvio estava escondido numa quinta e não hesitou em disparar quando se sentiu cercado. Morreram dois agentes da Guardia Civil e um engenheiro florestal que os acompanhava por conhecer bem a região.

Igor fugiu e acabou por ser detido oito horas depois. A nacionalidade do homem foi confirmada por Itália através de impressões digitais enviadas por Espanha, já que o sérvio não está a colaborar com as autoridades.