HRW avisa que China quer manipular a Interpol

HRW pede à Interpol que garanta neutralidade sob liderança de alto quadro chinês

DN/Lusa
© REUTERS/Thomas Peter

A Human Rights Watch (HRW) pediu hoje à Interpol que aborde na sua próxima Assembleia Geral a emissão de alertas de detenção e extradição contra dissidentes chineses, que "põe em causa a neutralidade" da polícia internacional.

Meng Hongwei, vice-chefe do aparelho de Segurança chinês, que inclui tribunais, polícia e polícia secreta, foi nomeado presidente da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) no ano passado, provocando críticas de várias organizações internacionais, face à possível perda de neutralidade na organização.

A Interpol assegura que opera de acordo com as normas internacionais dos direitos humanos, mas a China já demonstrou a sua disposição em manipular o sistema

A organização de defesa dos Direitos Humanos enviou uma carta à polícia internacional para que a questão seja debatida na sua 86ª Assembleia Geral, que decorre em Pequim, a partir de terça-feira, e reunirá chefes da polícia e especialistas em segurança de todo o mundo.

Durante o encontro, será abordada a luta contra o terrorismo, a delinquência organizada e o cibercrime, visando uma maior cooperação entre diferentes agências.

A HRW alerta que a credibilidade da Interpol "está em jogo", sob o mandato de Meng, apontando que a China emitiu já "alertas vermelhos" com motivações políticas e tendo como alvo a extradição de dissidentes e ativistas

As detenções arbitrárias, torturas e desaparecimentos ocorridos no passado "geram preocupações de que quem é alvo de alertas da Interpol pela China corre o risco de sofrer torturas e maus tratos".

A organização recordou o caso do ativista uigur Dolkun Isa e do ativista Wang Zaigang, ambos alvos "alertas vermelhos".

A Interpol tem de explicar como evitará converter-se numa arma do Governo chinês no estrangeiro

Com sede em Lyon, França, a Interpol faz a ligação entre polícias de 190 países membros, com o objetivo de apoiar no combate à criminalidade além-fronteiras.