Gabriel Cruz foi sufocado e tinha um golpe na cabeça

O tribunal ainda não autorizou que o corpo do menino de oito anos fosse cremado

Paula Freitas Ferreira
© EPA/CARLOS BARBA

Ao contrário das notícias publicadas esta segunda-feira, que davam conta de que Gabriel Cruz, o menino que foi encontrado sem vida na bagageira do carro da namorada do pai, em Almería, Espanha, teria morrido vítima de estrangulamento, no próprio dia em que desaparecera, os resultados da autópsia mostram que a criança foi sufocada, mas que antes da morte sofreu um golpe na cabeça.

É o jornal espanhol La Vanguardia que avança, esta terça-feira, com a informação: os últimos dados da autópsia revelam que assassino de Gabriel lhe bloqueou o nariz e a boca, causando-lhe a morte por asfixia. O menino apresentava também uma lesão cerebral traumática de um dos lados da cabeça, o que prova que terá sofrido um golpe naquela zona, antes de morrer.

O último relatório forense mantém a indicação de que Gabriel foi assassinado na mesma tarde em que desapareceu, a 27 de fevereiro, em Las Hortichuelas de Níjar, quando saiu de casa da avó para visitar alguns primos.

Ainda de acordo com o La Vanguardia, o Tribunal de Instrução que supervisionou a investigação da Guarda Civil proibiu que o corpo de Gabriel Cruz fosse cremado.

De acordo com a agência Efe, milhares de pessoas têm passado pelo velório da criança e no funeral, marcado para esta terça-feira, foram colocados ecrãs gigantes no exterior da catedral de Almería.

No funeral estarão presentes a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, e o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido.

Quanto à principal suspeita, Ana Julia Quezada, sabe-se que tem 44 anos, nasceu na República Dominicana e viveu em Burgos desde 1995, com duas filhas menores, tendo uma delas morrido acidentalmente em 1996.

De acordo com a imprensa dominicana, a família de Ana Julia Quezada diz-se surpreendida com a suspeita de crime e fala numa cabala contra ela.

"Não acredito que ela, que vem de baixo, com sacrifício e esforço, tenha pensado em tirar a vida a um inocente", afirmou o irmão, Juan José Quezada.

Por causa da suspeita da morte de Gabriel Cruz, as autoridades ponderam reabrir a investigação à morte da filha de Ana Julia Quezada, que morreu de uma alegada queda acidental de uma varanda.