EUA rescindem ordem de suspensão de manobras militares na Península Coreana

Donald Trump cancelou a visita do secretário de Estado Mike Pompeo a Pyongyang devido a alegada falta de progresso na desnuclearização

Ricardo Simões Ferreira
O secretário de estado norte-americano da Defesa Jim Mattis.© EPA/SHAWN THEW

O secretário da Defesa norte-americano, Jim Mattis, anunciou esta terça-feira o fim da suspensão dos exercícios militares aliados na Península Coreana, decidido como um "gesto de boa vontade" após o encontro de Donald Trump e Kim Jong-un.

"Como sabem, tomámos a decisão de suspender os maiores exercícios militares como gesto de boa vontade no final da cimeira de Singapura", em junho, declarou Mattis em conferência de imprensa, agora que as negociações sobre a desnuclearização da Coreia do Norte parecem estar estagnadas.

"Não temos qualquer projeto para suspender outras manobras", acrescentou o responsável do Pentágono, quando o Presidente acaba de cancelar uma visita agendada do seu chefe da diplomacia, Mike Pompeo, a Pyongyang, invocando a ausência de progresso na desnuclearização.

O secretário da Defesa escusou-se a anunciar uma data precisa para a retomada das manobras militares, indicando que os militares consultarão os diplomatas norte-americanos encarregados das negociações com Pyongyang antes de tomarem qualquer decisão.

"Não vamos retomá-las. Vamos ver como correm as negociações e logo veremos", acrescentou.

O Pentágono tinha anunciado em junho que as suas principais manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul estavam, a partir de então, "suspensas por tempo indefinido".

Cerca de 28.500 militares norte-americanos estão estacionados na Coreia do Sul e os treinos conjuntos com as tropas sul-coreanas são regulares.

Cerca de 17.500 soldados norte-americanos participariam neste momento no exercício Ulchi Freedom Guardian.

Estas manobras destinadas a reforçar a preparação das tropas para uma eventual invasão norte-coreana reúnem anualmente nesta altura soldados de todos os ramos das Forças Armadas (Força Aérea, Marinha, Exército) procedentes, além dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, de vários países aliados, como a Austrália, o Canadá, o Reino Unido, a França e a Nova Zelândia.

Inquirido sobre se as manobras serão retomadas na primavera, como acontece todos os anos, Mattis manteve-se prudente.

"Não tomámos qualquer decisão por enquanto e consultaremos o Departamento de Estado", respondeu.