Elon Musk: o ano doloroso, o tweet que lançou o caos e as drogas para dormir

O fundador da Tesla contou numa entrevista ao 'The New York Times', em que alternou entre risos e lágrimas, que este tem sido um ano "excruciante"

Susana Salvador
Elon Musk revela um pouco da sua vida privada ao 'The New York Times'© ARQUIVO REUTERS/Joe Skipper

O presidente e diretor executivo da Tesla, Elon Musk, alega que este tem sido um ano "excruciante", o "mais difícil e mais doloroso" da sua carreira, queixando-se de como o trabalho está a interferir com a sua vida privada. Mas defende a sua decisão de enviar um tweet, a 7 de agosto, que levou à subida das ações da empresa de fabrico de carros elétricos e aumentou o escrutínio do regulador, dizendo que não estava sob efeito de drogas.

A 7 de agosto, Musk escreveu no Twitter que estava a "considerar" tirar a Tesla da bolsa, pagando 420 dólares por cada ação. "Financiamento garantido", acrescentava.

Numa entrevista ao The New York Times , o presidente e diretor executivo da Tesla de 47 anos explicou que esse valor resultava de um arredondamento do valor que representava um prémio de 20% por ação. "Parecia ter melhor karma a 420 dólares do que a 419 dólares", indicou.

Acontece que, nos EUA, 4/20 é um código para marijuana, levando as pessoas a dizer que ele estaria debaixo de influência de drogas. "Não estava sob o efeito de erva, vamos ser claros. A erva não ajuda na produtividade. Há uma razão para a palavra 'pedrado'. Ficas ali como uma pedra quando fumas erva", disse ao The New York Times, indicando que enviou a mensagem na rede social quando estava no carro, a caminho do aeroporto, numa tentativa de transparência.

Musk explicou que tem estado a fazer semanas de 120 horas de trabalho, não estando afastado mais do que uma semana das suas empresas desde 2011, quando esteve de cama, com malária. "Houve tempos em que não deixei a fábrica durante três ou quatro dias, dias em que não ia à rua", disse, falando em como isso tem dificultado estar próximo dos cinco filhos ou dos amigos.

Por causa do trabalho, passou o 47º aniversário (28 de julho) na fábrica da Tesla e quase ia perdendo o casamento do irmão na Catalunha (chegou duas horas antes e partiu assim que a cerimónia acabou, apesar de ser o padrinho do noivo).

"Este último ano tem sido o mais difícil e doloroso da minha carreira. Foi excruciante", afirmou. "Pensava que o pior tinha passado, pensava que sim. O pior do ponto de vista operacional da Tesla já passou. Mas de um ponto de vista pessoal, o pior ainda está para vir", disse Musk.

Numa entrevista em que se emocionou várias vezes, Musk revelou que quando não está a trabalhar acaba por recorrer a Ambien (um dos nomes comerciais do zolpidem, usado no tratamento de insónias). "É muitas vezes a escolha entre não dormir ou Ambien", disse, com o jornal a indicar que esse comportamento preocupa o conselho de administração.

A Tesla teve perdas recorde de 709,6 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano e está a passar por dificuldades no fabrico do último modelo do seu carro elétrico. O tweet de Musk levou a Tesla a subir 11% na bolsa, acabando os investidores por o processar, alegando que a mensagem era enganadora e destinada a "dizimar" os short-sellers - investidores que apostam que o valor de ações vai perder valor.

Quando enviou a mensagem de que tinha o "financiamento garantido", Musk indicou ao The New York Times que se referia a um potencial investimento do fundo do governo da Arábia Saudita, mas este ainda não se comprometeu em investir. Segundo o jornal, outra hipótese é que a Space X, a empresa de construção de foguetões espaciais, possa pagar o negócio da Tesla, assumindo o controlo da construtora de carros elétricos.