Número de casos do Ébola na República Democrática do Congo sobe para 132

Balanço anterior do ministério da Saúde congolês, divulgado a 6 de setembro, dava conta de a epidemia no leste do país ter causado 88 mortes

Patrícia Jesus
Autoridades congoleas administrando vacinas contra o Ébola.© REUTERS/Olivia Acland

O número de casos de Ébola registados na República Democrática do Congo (RDCongo) aumentou para 132, dos quais 101 confirmados e 31 prováveis, segundo o balanço mais recente, divulgado esta segunda-feira pelo Ministério da Saúde daquele país.

A situação afeta sobretudo a província do Norte-Kivu e sobre os 101 casos, adianta o mesmo comunicado, de 09 de setembro, 60 pessoas morreram e 36 estão a ser tratadas. Nove casos suspeitos de ébola estão ainda em investigação.

Segundo o balanço, há também um novo caso confirmado em Butembo. Trata-se de um homem cuja esposa era um dos casos confirmados de Ébola em Mandima. Os testes realizados aquele cidadão, com base em análises de sangue, revelaram-se negativos, mas o vírus ébola foi identificado no seu esperma.

"O homem ficou doente durante o mês de agosto e foi internado no centro de saúde de Makeke, na zona de saúde de Mandima (Ituri). A transferência para o centro de tratamento de ébola (CTE) de Mangina foi recusada, ele ficou em Butembo e o seu estado de saúde está a evoluir favoravelmente", adianta o comunicado.

Em Beni, mais uma pessoa morreu e uma outra pessoa está ainda em tratamento.

O Ministério da Saúde adianta ainda na mesma nota que "a fim de evitar que o número total de casos varie (entre altos e baixos) diariamente, os casos suspeitos estão a ser tratados numa categoria em separado.

De acordo com o anterior balanço do ministério, divulgado a 06 de setembro, a epidemia de Ébola no leste da RDCongo já tinha causado 88 mortes, duas das quais registadas pela primeira vez em Butembo, importante centro comercial com cerca de um milhão de habitantes.

Os dois primeiros casos de mortes confirmados em Butembo, um centro de intercâmbio comercial da RDCongo com países vizinhos, como o Uganda, eram uma mulher e um cuidador que esteve em contacto com ela, indicou o Ministério da Saúde da RDCongo.

A mulher tinha fugido de Beni, outra zona atingida, a 50 quilómetros de Butembo, onde "recusou cooperar com as autoridades sanitárias após ficar doente", precisaram as autoridades sanitárias.

O ministro congolês da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, deslocou-se a 06 de setembro a Butembo. "No total, temos 129 casos e 88 mortes até ao momento", disse então à imprensa, antes de partir para Butembo.

Este balanço pode chegar à cifra de 89 mortes ao final do dia, precisou o ministério.

Para o ministro, observa-se "a segunda vaga de casos, que são provavelmente casos já em incubação no momento em que foi iniciada a resposta", em agosto.

"Esta segunda vaga está ligada a pessoas que escaparam à vigilância da primeira vaga, a pessoas que manifestaram resistência às nossas mensagens. Penso que os focos de resistência estão identificados", acrescentou.

As autoridades contactaram de novo os habitantes de um bairro do Beni, que manifestaram resistência às medidas de prevenção anti Ébola.

A preocupação aumentou de nível na sequência da anterior epidemia na outra extremidade da RDCongo, na província de Equador, onde um caso foi registado na capital regional, Mbandaka, também um grande um entreposto comercial com cerca de um milhão de habitantes.

Este novo foco não aumentou a propagação do vírus.

O fim do surto anterior daquela febre hemorrágica na RDCongo, foi decretado a 24 de julho, com um balanço total de 33 mortes.

No balanço de 9 de setembro o Ministério da Saúde acrescenta que recebeu um alerta de fébre hemorrágica de Kisangani. "Trata-se de três jovens raparigas de uma mesma família que vieram de férias de Mambasa, uma vila vizinha da zona de saúde de Mandima, onde nove casos confirmados de Ébola foram registados", refere. Mas os três testes foram enviados parta o laboratório de Beni para análise e os resultados foram negativos.