Duterte, o ″presidente misógino″, criticado por beijar emigrante

Comportamento foi considerado "repugnante"

Paula Freitas Ferreira
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Rodrigo Duterte beijou na boca uma emigrante filipina - o momento ficou captado em vídeo - e foi duramente criticado.

Gabriela, um grupo filipino de defesa dos direitos das mulheres, classificou o ato como "teatralidade repugnante de um presidente misógino que se sente no direito de rebaixar, humilhar ou desrespeitar as mulheres de acordo com o seu capricho".

Duterte falava este domingo para uma plateia de emigrantes em Seul, na Coreia do Sul, quando chamou duas emigrantes filipinas ao palco para lhes oferecer o livro "Altar de Segredos: Sexo, Política e Dinheiro na Igreja Católica Filipina", escrito pelo jornalista Aries Rufo, e uma obra que o presidente tem usado para gozar com a Igreja católica nas Filipinas, escreve o site Rappler.

As mulheres estavam visivelmente felizes por conhecerem Duterte, que está na Coreia do Sul para uma visita oficial de três dias. As filipinas receberam a oferta e já se tinham despedido com um aperto de mão quando o Presidente chamou uma delas e a convenceu a dar-lhe um beijo na boca, deixando-a visivelmente envergonhada, enquanto o público reagia efusivamente ao momento embaraçoso.

No vídeo consegue ouvir-se Duterte dizer: "É solteira? Está a separar-se dele? Pode explicar-lhe que isto é só uma brincadeira?".

A associação Gabriela condenou o ato publicamente através de um texto publicado na sua página de Facebook onde acusa o Presidente das Filipinas de usar estes "atos de machismo" como "entretenimento para esconder a realidade da sua quebra de popularidade devido a questões [como] execuções extrajudiciais, a lei da Reforma Tributária e os grandes escândalos de corrupção que agora assolam o seu Governo".

Esta não é a primeira vez que Duterte é acusado de comportamento inadequado em relação às mulheres. Em abril de 2016 fez uma declaração polémica acerca do homicídio e violação de uma missionária australiana em Davao, cidade de que era presidente da Câmara na altura do crime.

"Estava com raiva porque ela foi violada", disse o atual Chefe de Estado das Filipinas. "Mas ela era tão bonita, o presidente da Câmara deveria ter sido o primeiro, que desperdício". O seu gabinete acabaria por pedir desculpa pelos comentários.

Já no início deste ano, Duterte voltou a escandalizar o mundo quando afirmou que os soldados filipinos deveriam "disparar nas vaginas" das guerrilheiras comunistas.