Derrube das Torres Gémeas teve um ensaio geral

Camião carregado de explosivos rebentou no parque de estacionamento subterrâneo da Torre Norte em 1993. Objetivo era derrubá-la e fazê-la cair sobre a Torre Sul. DN está a publicar uma série de textos na contagem decrescente para 15.º aniversário do 11 de setembro.

Leonídio Paulo Ferreira
Morreram seis pessoas na explosão de 1993 no World Trade Center de Nova Iorque© Arquivo REUTERS

Morreram seis pessoas no atentado contra as Torres Gémeas de 26 de fevereiro de 1993. Não admira que quase tenha caído no esquecimento depois do ataque de 11 de setembro de 2001, em que as vítimas foram quase três mil. Mas o objetivo dos terroristas era igual, derrubar as duas torres, e o cérebro o mesmo: Khalid Sheik Mohammed, figura da Al-Qaeda que hoje está detido em Guantánamo.

Richard Clarke, que coordenava o combate ao terrorismo internacional na Administração de Bill Clinton e manteve o cargo com George Bush filho, escreveu já depois do 11 de Setembro Contra todos os inimigos, livro no qual conta como a explosão de 1993 apanhou toda a gente de surpresa nos Estados Unidos. A União Soviética tinha desaparecido, a Guerra Fria era passado, e mesmo Saddam Hussein não parecia capaz de destabilizar o Médio Oriente depois de uma coligação internacional o ter obrigado a retirar as tropas iraquianas do Koweit.

Clarke relembra o telefonema naquele dia de Anthony Lake, o conselheiro nacional de segurança de Clinton: "- Foram os sérvios? Era o Tony. Não fazia a mínima ideia do que estava a falar. - Foram os sérvios que o atacaram? Foi uma bomba? - Ainda não sei, Tony - fingi eu. -Estamos a averiguar. Eu ligo-lhe assim que soubermos mais alguma coisa". Depois, Clarke ligou para o Gabinete de Crise, onde um oficial da Marinha lhe responde: "Acho que explodiu qualquer coisa, mas não sabemos se foi uma bomba. O World Trade Center". E havia até dúvidas se o Gabinete de Crise tinha de reportar a Clarke, pois a explosão era em território americano. Tinha, claro, desde que estivessem envolvidos agentes estrangeiros no atentado.

Não foram os sérvios, então em guerra contra os outros ex-jugoslavos e em choque com a América. Nem houve cumplicidade dos serviços secretos iraquianos, outra hipótese levantada na época mas que documentos apreendidos já depois da queda de Saddam anulam. O FBI conseguiu identificar Mohammad Salameh como um fundamentalista islâmico envolvido e através dele chegou a outros suspeitos e a um apartamento onde se preparavam explosivos como os colocados no camião estacionado no parque subterrâneo da Torre Norte. Na sucessão de detenções que se seguiu, chegou-se ao nome de Ramzi Youssef, capturado pela polícia paquistanesa e entregue aos Estados Unidos. Foi ele a principal figura do atentado, depois de ter entrado na América com falso passaporte iraquiano e ter pedido asilo. Teve financiamento de um tio, Khalid Sheik Mohammed, que uma década mais tarde, depois de detido e interrogado em Carachi, confessará ter sido o arquiteto do 11 de setembro, ao serviço da Al-Qaeda.

Não existem provas de envolvimento direto de Osama bin Laden no atentado de 1993. Mas a ideia dos terroristas era derrubar uma das Torres explodindo a base e fazendo-a cair sobre a outra. O que 600 quilos de explosivos falharam, foi conseguido oito anos depois por dois aviões lançados contra as Torres.

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