Como Facebook e Twitter ajudaram a identificar um esquiador desaparecido em 1954

Investigadores partilharam as informações que tinham na rede social em junho e a família do francês Henri Le Masne, desaparecido em Itália há mais de 60 anos ajudou a identificá-lo

Helena Tecedeiro
Henri Le Masne desapareceu em 1954 quando foi apanhado por uma tempestade nos Alpes© EPA/Gabinete de imprensa da polícia italiana

Em 2005, foram encontrados uns restos mortais, uns esquis e um par de óculos a 3000 metros de altitude numa montanha dos Alpes italianos na região de Aosta. Passada mais de uma década, os investigadores da polícia italiana continuavam sem conseguir identificar o corpo a quem pertenciam e decidiram partilhar os resultados da sua pesquisa no Facebook.

A polícia já tinha algumas pistas: umas iniciais bordadas na roupa e uns esquis de madeira que na altura seriam caros. O corpo pertencia a um homem com cerca de 1,75 metros e na casa dos 30 anos. A morte, explicou Marinella Laporta, uma das investigadoras da polícia de Turim, à BBC, teria ocorrido na primavera.

Foram estas informações e algumas imagens dos objetos encontrados que a polícia italiana partilhou nas redes sociais em junho, com apelo a que quem tivesse informações sobre o caso, a contactasse. O apelo foi lançado também em França e na Suíça.

Os media franceses pegaram na história e foi ao ouvir a história numa rádio local que Emma Nassem ficou a pensar se o desaparecido não seria o seu tio, Henry Le Masne, desaparecido em 1954 quando fora esquiar junto à fronteira entre a Suíça e Itália, tendo sido apanhado por uma tempestade.

Roger Le Masne, de 94 anos, também ouviu a notícia e pensou logo no irmão mais velho. "Sou o irmão mais novo de Henri Le Masne... que deve ser o esquiador desaparecido há 64 anos. Era solteiro e bastante independente. Trabalhava no Ministério das Finanças em Paris", escreveu num email que acabou por chegar à polícia italiana.

Mas foram os óculos que acabaram por ajudar a identificar Henri Le Masne. Isto depois de a família enviar uma foto dele com uns óculos que correspondiam aos encontrados na montanha. Um teste de ADN fez o resto e, passados mais de seis décadas, ficou resolvido o mistério do esquiador encontrado na região de Aosta.