Com ausência de Lula, Bolsonaro e Marina lideram sondagem

Com apoiantes de Lula sem alternativa, disputa eleitoral para a Presidência do Brasil segue indefinida. É o que diz uma sondagem da Datafolha.

João Pedro Henriques
Lula da Silva em 1 de maio, no comício que antecedeu a sua prisão© Leonardo Benassatto/REUTERS

Dois meses depois da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os seus adversários na disputa pela Presidência da República continuam a enfrentar dificuldades para conquistar a preferência dos eleitores.

Uma sondagem realizada pelo Datafolha na semana passada aponta o líder petista com 30% das intenções de voto e mostra que mais de um terço dos eleitores se dizem sem opção ao analisar cenários em que ele fica fora do confronto.

O instituto entrevistou 2 824 eleitores de 174 municípios na quarta e quinta-feira (dias 6 e 7). A pesquisa é a primeira feita pelo Datafolha após a greve dos camionistas, que causou transtornos em todo o país e provocou uma crise no governo, abalando a economia.

Segundo a sondagem, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que apoiou os camionistas, mantém a liderança da corrida presidencial nos cenários em que Lula está ausente, com 19% das preferências.

A ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece logo depois, com até 15% das intenções de voto. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que oscila entre 10 e 11%, e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 7%, estão tecnicamente empatados. Embora Ciro apareça numericamente à frente nos resultados, a diferença entre os dois pode ser menor por causa da margem de erro do estudo, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Embora Ciro apareça numericamente à frente nos resultados, a diferença entre os dois pode ser menor por causa da margem de erro do estudo, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), que lançou sua pré-candidatura com apoio do presidente Michel Temer, tem apenas 1% das preferências, de acordo com o instituto. Os cenários pesquisados pelo Datafolha na semana passada são diferentes dos que foram considerados pelo estudo anterior, feito em abril, e por isso os resultados dos dois levantamentos não são perfeitamente comparáveis.

O PT reafirmou sexta-feira a disposição de registar a candidatura de Lula, que cumpre pena em Curitiba pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro e que deverá ser impedido pela Justiça de concorrer.

A estratégia adotada pelo partido adia a definição do nome que poderá substituir o ex-presidente se ele for impedido de se candidatar. Os dois mais cotados para a vaga, o ex-prefeito Fernando Haddad (SP) e o ex-governador Jaques Wagner (BA), aparecem com 1% na pesquisa.

A ausência de Lula fez cair o número de eleitores que o mencionam espontaneamente quando consultados sobre suas preferências, mas seu prestígio poderá ser decisivo para quem receber seu apoio. Nos cenários sem o ex-presidente no confronto, mais de 40% dos seus eleitores dizem não ter em quem votar.

Simulações feitas pelo Datafolha para a segunda volta da eleição reforçam os sinais de que muitos eleitores não encontram alternativa sem Lula.

Em cinco dos nove cenários em que o líder do PT não aparece, o número de eleitores sem opção, dispostos a votar em branco ou anular o voto supera o de apoiadores do candidato vencedor. Marina Silva aparece como a que tem melhores chances contra Bolsonaro numa segunda volta.

A primeira volta das eleições presidenciais brasileiras será a 7 de outubro e uma eventual segunda volta no dia 28 do mesmo mês.