Ciudadanos fora das negociações para formar governo

Ao cenário pós-eleitoral de aparente impasse redes sociais respondem com Tabarnia, uma comunidade autónoma que une Barcelona e Tarragona

César Avó
O Ciudadanos de Inés Arrimadas recusa, para já, dar o primeiro passo para formar governo© Reuters/Eric Gaillard

O Partido Popular desafiou Inés Arrimadas a tentar constituir governo na Catalunha, mas o Ciudadanos, a duas vozes, reiterou que, para já, esse cenário não é possível. Um cenário remoto, mas que ganhou visibilidade nas últimas horas, é o da criação de Tabarnia, uma comunidade autónoma de Espanha que se formaria em secessão a uma Catalunha independente.

"Arrimadas ganhou as eleições, mas estamos conscientes da aritmética parlamentar e sabemos somar", afirmou ontem o secretário--geral do Ciudadanos no Congresso, Miguel Gutiérrez. O deputado recusou a analogia entre este momento e o de Mariano Rajoy, em 2015, quando este recusou perante o rei Felipe VI apresentar-se como candidato à investidura para chefe do governo, devido à perda da maioria de assentos parlamentares - e foi criticado pelo Ciudadanos. Para Gutiérrez não existia em Espanha a "fratura social" causada pelo governo de Carles Puigdemont nem um Parlamento dividido entre constitucionalistas e independentistas.

"Não renunciamos a coisa alguma. É evidente que conseguimos vencer as eleições autonómicas, mas também é evidente que há que formar governo com formações constitucionalistas e estas somam o que somam", resumiu a situação, por sua vez, o secretário-geral do Ciudadanos, José Manuel Villegas.

Nas eleições autonómicas de 21 de dezembro, o Ciudadanos ficou em primeiro lugar ao obter 25,37% dos votos e elegeu 37 deputados. Mas o bloco independentista (Junts per Catalunya, Esquerra Republicana e CUP) elegeu 70 representantes, obtendo a maioria parlamentar. Há a dúvida, porém, se os políticos presos e ausentes em Bruxelas vão conseguir formar governo.

Os dirigentes do Ciudadanos responderam ao repto lançado pelo coordenador-geral do PP, Fernando Martínez-Maillo, à vencedora das eleições, Inés Arrimadas, em "tentar formar governo", hipótese que "não deve ser dada de bandeja" aos independentistas. Também o porta-voz do PP no Congresso criticou a estratégia de Arrimadas. "Não me parece certo alguém ganhar as eleições e atirar a toalha. Tem de reivindicar a vitória e as suas consequências", comentou Rafael Hernando. Quanto aos "maus resultados" do PP - 4,24% e três deputados, menos sete do que em 2015 - Maillo afirmou que os dirigentes vão fazer uma reflexão, mas afastou qualquer responsabilidade do líder do partido, Mariano Rajoy.

A Plataforma per l"Autonomia de Barcelona, criada em 2012, e que também responde por Barcelona is not Catalonia, causou sensação nas últimas horas ao apresentar nas redes sociais a ideia da fusão das comarcas de Tarragona e Barcelona - a Tabarnia. Um referendo validaria a separação da Catalunha e a sua inclusão como região autónoma de Espanha. E o que é a Tabarnia? É uma região com "alta densidade de população, intensa relação comercial com o resto de Espanha; orgulho pelo bilinguismo; mentalidade aberta; mais rendimentos e maioria de votos não separatistas". A ideia, ou provocação, levou a que Albert Rivera, líder dos Ciudadanos, comentasse no Twitter: "Se os nacionalistas alegam o inexistente direito a dividir, qualquer um pode fazê-lo. Prefiro diversidade e união."