Turistas em menor número no centro de Barcelona sem saber de eleições

Há cartazes da campanha eleitoral para o parlamento regional em toda a cidade, mas não houve manifestações políticas na baixa da cidade

DN/Lusa
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O centro de Barcelona estava hoje cheio de turistas, mas em menor número do que em anos anteriores, com muitos sem se aperceber de que é dia de eleições decisivas para a estabilidade futura da Catalunha.

"Por acaso até sei que há eleições hoje", disse, satisfeito, o israelita Yonathan à agência Lusa, confessando logo a seguir ter sido a mulher a dizer-lhe, depois de ver na televisão, esta manhã, no quarto de hotel em que estão no centro de Barcelona.

Os cartazes da campanha eleitoral para o parlamento regional são bem visíveis em toda a cidade, mas ao contrário do que aconteceu em 01 de outubro último, quando se realizou um referendo considerado ilegal pelo Estado espanhol, não houve manifestações políticas na baixa da cidade.

"Parece que o [primeiro-ministro espanhol, Mariano] Rajoy os meteu na ordem", afirmou Yonathan com um sorriso brincalhão.

Rajoy dissolveu em finais de outubro o parlamento catalão dominado por uma maioria de deputados separatistas (72 lugares em 135) que tinha forçado a realização de um referendo sobre a autodeterminação da Catalunha, a 01 de outubro último, e aprovado em seguida uma declaração unilateral de independência.

Vários turistas estrangeiros desconheciam totalmente a realização de eleições, mas mesmo assim, alguns deles também estranhavam a inexistência de manifestações populares, como tinham visto nas televisões algumas semanas atrás.

"Estou muito admirado por estar tudo tão calmo. Pensava que ainda ia ver manifestantes com bandeiras", declarou o britânico Jonathan na praça em que está o Palácio do governo catalão (Generalitat).

No tradicional e muito turístico mercado de La Boqueria, ao lado da famosa Rambla de Barcelona, os feirantes/comerciantes independentistas e constitucionalistas (a favor da unidade de Espanha) eram facilmente identificáveis.

Os primeiros asseguravam que continuava a haver um número idêntico de turistas comparando com um ano atrás, enquanto os segundos se queixavam da "enorme redução" provocada pelo processo de secessão.

As estatísticas oficiais dão razão a estes últimos, indicando uma redução significativa de turistas e investimento estrangeiro na região mais rica e mais visitada pelos turistas de Espanha.

"O meu volume de negócios está 10-20% abaixo do normal por causa do que se passou", assegurou Jordi, o dono de uma das bancas de venda de comida, acrescentando estar convencido de que a situação irá mais facilmente "normalizar" se hoje ganharem os partidários da unidade de Espanha.

Uma empregada, Sara, defendeu que, "ganhe quem ganhar, não haverá grandes mudanças, pois vai continuar a haver um muito mau ambiente entre as duas partes e que tem provocado divisões entre amigos e famílias".

As pessoas estão muito divididas e falam mais com o coração do que com a cabeça

Os eleitores têm até às 20:00 (19:00 em Lisboa) para votar para o parlamento regional numas eleições em que o bloco constitucionalista vai tentar retirar aos que pretendem a independência a maioria que estes conseguiram na consulta anterior, em 2015.

As últimas sondagens dão um empate técnico entre os dois blocos, com os constitucionalistas de direita liberal Cidadãos e os independentistas da Esquerda Republicana (ERC) a liderar cada um dos campos mas muito longe da maioria absoluta.

O aumento esperado da taxa de participação e a transferência votos dentro de cada bloco torna o resultado imprevisível.

Até às 13:00 (12:00) já tinham votado 34,69% dos eleitores, um pouco menos do que os 35,10% da consulta anterior à mesma hora, mas o resultado pode ser falseado pelo facto de as presentes eleições se realizarem num dia normal de trabalho e muitas pessoas poderem decidir votar só ao fim do dia.