Populares e governo catalão exigem saída de agentes da polícia nacional

Dezenas de pessoas concentraram-se frente a dois hotéis de Barcelona para exigir saída dos agentes da polícia espanhola que foram destacados para a Catalunha devido ao referendo de domingo

Lusa
 | foto EPA/JIM HOLLANDER
 | foto EPA/JIM HOLLANDER

Dezenas de pessoas estão desde segunda-feira à noite frente a dois hotéis de Barcelona para exigir a partida dos agentes da polícia espanhola que se deslocaram à Catalunha para impedir o referendo de domingo, apelo secundado pelo governo catalão.

A polícia regional catalã (Mossos d'Esquadra), citada pela agência espanhola Efe, diz que cerca de 300 pessoas se concentraram pelas 22:00 (21:00 em Lisboa) de segunda-feira frente aos hotéis Checkin Mont-Palau e Checkin Pineda, situados a poucos metros de distância, para protestar contra a presença dos agentes da Polícia Nacional espanhola e contestar as cargas de domingo para impedir o referendo sobre a independência da Catalunha, proibido pelo Tribunal Constitucional.

A polícia catalã estabeleceu um cordão de segurança frente a ambos os hotéis, que se manteve toda a noite e continua hoje no local, onde permanecem cerca de 40 pessoas concentradas.

O gerente de ambos os hotéis, que aloja agentes antimotim da Polícia Nacional deslocados na Catalunha, disse hoje está obrigado a desalojar os polícias até às 16:00, após ter sido ameaçado pela autarquia de "encerramento durante cinco anos".

Agentes da Polícia Nacional foram esta noite insultados em diversas localidades das províncias de Girona e Barcelona por pequenos grupos de cidadãos com gritos de "fora às forças de ocupação".

Segundo a Efe, a procuradoria-geral espanhola está a investigar queixas sobre as expulsões de membros das forças de segurança em diferentes hotéis da Catalunha e alegadas "ameaças ou pressões ilegais" sobre os hotéis para que os desalojem.

Também hoje, o conselheiro do Território do governo regional catalão, Josep Rull, apelou à partida dos agentes da polícia espanhola, acusando-os de serem "um fator de tensão e não de tranquilidade" na Catalunha.

"Não estão a fazer nada na Catalunha (...) Vão-se embora e regressem a casa e às suas famílias", disse, em declarações à TV3.

O responsável afirmou também que os barcos atracados no Porto de Barcelona que alojam polícias enviados à Catalunha estão a afetar "de forma significativa as exportações catalãs" realizadas através desse porto.

Questionado sobre o que fará o governo catalão se Madrid não retirar os agentes policiais da Catalunha, Rull disse que "insistirá tantas vezes quantas for preciso".

Milhares de agentes da Polícia Nacional e da Guardia Civil foram enviados para a Catalunha para impedirem a realização do referendo sobre a independência daquela comunidade autónoma, considerado ilegal por Madrid e suspenso pelo Tribunal Constitucional.

Os agentes da polícia espanhola protagonizaram os maiores momentos de tensão durante a consulta popular, no domingo, realizando cargas policiais sobre os eleitores e forçando a entrada em várias assembleias de voto ocupadas de véspera por pais, alunos e residentes, para garantir que os locais permaneceriam abertos.

A violência policial fez 893 feridos, mas apesar da repressão, 42% dos 5,3 milhões de eleitores conseguiram votar, e 90% deles votaram a favor da independência, segundo o governo regional da Catalunha (Generalitat).

A consulta popular foi agendada pela Generalitat, dominada pelos separatistas, tendo o Estado espanhol, nomeadamente o Tribunal Constitucional, declarado que a consulta era ilegal.

A região da Catalunha cumpre hoje uma greve geral em protesto contra a interferência do Estado espanhol no referendo de domingo sobre a independência, com "violência policial desproporcionada".