Carros queimados e engenhos explosivos na 11.ª Noite em Belfast

Polícia da Irlanda do Norte lançou um apelo à calma na véspera da grande parada protestante, que os católicos nacionalistas consideram uma provocação.

Susana Salvador
Um dos carros incendiados na 11.ª Noite, em Belfast© Twitter/Belfast Telegraph

Carros incendiados, autocarros sequestrados por homens armados e engenhos explosivos em Belfast marcam a 11.ª Noite, a véspera da grande parada anual que marca a vitória de Guilherme de Orange, em 1690, que selou o domínio protestante sobre a Irlanda do Norte. Uma tradição que os católicos nacionalistas consideram uma provocação.

Na 11.ª Noite, quando é tradição acenderem-se fogueiras em bairros protestantes, as autoridades lançaram um apelo à calma. Tudo porque a polícia recebeu informações que grupos paramilitares "lealistas" - a Força Voluntária do Ulster - planeava ações violentas.

A polícia respondeu à explosão de vários engenhos, há registo de que vários carros foram incendiados por homens de cara tapada, assim como um autocarro, que chegou a ser sequestrado com recurso a armas de fogo.

O aeroporto de Belfast chegou também a ser encerrado devido a um incidente no exterior. Os bombeiros da Irlanda do Norte responderam, no espaço de apenas uma hora, a 24 incidentes.

Trinta anos de conflito entre protestantes que querem que a Irlanda do Norte continue a ser parte do Reino Unido e os nacionalistas católicos, que querem fazer parte de uma Irlanda unida, acabou com os acordos de paz de 1998. Contudo, estas paradas anuais têm por hábito reavivar tensões.

O serviço da polícia da Irlanda do Norte (PSNI, na sigla em inglês) disse que os tiros foram "uma tentativa flagrante de assassinar polícias". Nenhum agente ficou ferido no tiroteio no bairro de Bogside, na parte nacionalista de Belfast. Houve contudo, ao longo do dia, dois agentes e um civil que ficaram feridos por causa da violência.