Cão labrador inocenta homem condenado por abuso sexual de menor

Joshua Horner foi inicialmente condenado a 50 anos de prisão, mas organização de Oregon encontrou o cão que se julgava morto e que era uma das provas do crime que afinal não tinha sido cometido

Carlos Nogueira
© Jenny Coleman/Oregon Innocence Project

O norte-americano Joshua Horner, de 42 anos, foi condenado a 50 anos de prisão pelo crime de abusos sexuais contra uma menor, mas a intervenção de uma organização com fins não lucrativos do estado de Oregon que se dedica a ajudar as pessoas condenadas injustamente, denominada Oregon Innocence Project (OIP), descobriu... o cão labrador que provou a sua inocência.

Horner tinha sido condenado sem qualquer prova forense, de ADN ou testemunhal, com o júri a basear-se no testemunho da vítima, que alegou também que o pai abatera a tiro a cadela labrador, de nome Lucy, como ameaça para que ela não denunciasse os crimes à polícia.

Contudo, Joshua sempre afirmou a sua inocência em relação aos crimes de abuso sexual e garantiu que a cadela estava viva. Foi então que solicitou a ajuda da OIP, que considerou que algumas das alegações que deram origem à condenação não faziam sentido. Foram nove meses de investigação por parte desta organização, que iniciou as buscas pela cadela, que seria importante para provar as mentiras contadas em tribunal pela vítima.

Um investigador da OIP e um elemento do escritório do procurador distrital de Oregon iniciaram uma série de viagens para tentar encontrar o cão e o seu novo dono, o que acabaram por conseguir. O animal estava na costa do estado, a alguns quilómetros de Redmond, localidade onde se teriam praticado os crimes.

Lisa Christon, voluntária da OIP, revelou que "a cadela estava a beber uma tigela de água, sentada à sombra debaixo de uma varanda". A identidade do animal foi confirmada pela sua aparência original e levada para provar que, afinal, não estava morta.

Perante as novas provas o Tribunal de Recurso do estado permitiu que Joshua Horner fosse libertado em agosto e ordenou que fosse marcado um novo julgamento. Foram entretanto feitas várias tentativas para falar com a queixosa para a confrontar com as novas provas, mas ela acabou por nunca aparecer às reuniões e fugiu mesmo quando foi abordada pelos funcionários da procuradoria.

Na sequência destas diligências, o tribunal decidiu que não havia lugar a a novo julgamento, pelo que Joshua Horner ficou finalmente ilibado de um crime que a cadela Lucy se encarregou de provar que nunca havia cometido.

Em comunicado, a Oregon Innocence Project agradeceu a todos os voluntários que ajudaram a provar a inocência de Horner e também o procurador distrital por ter colaborado com a organização, lembrando que "este caso é um enorme exemplo da cooperação na busca pela verdade e pela justiça quando a validade de uma condenação é colocada em dúvida".