Bruxelas vai mesmo propor o fim da mudança de hora

Alteração defendida por Jean-Claude Juncker terá de ser aprovada por Parlamento e Conselho Europeu

Patrícia Jesus
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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, anunciou esta sexta-feira, em declarações ao canal alemão ZDF, que vai propor formalmente a eliminação da mudança de hora.

O anúncio surge depois de uma consulta europeia, entre julho e agosto, que reuniu votos de cerca de 4,6 milhões de europeus. Mesmo que destes 3 milhões sejam alemães, o resultado parece ter sido suficiente para forçar alterações a toda a Europa - 80% defendeu o fim da mudança de hora. Segundo o diário espanhol El País, a medida só poderá ser implementada após aprovação por Parlamento e Conselho Europeu.

Assim, a Comissão Europeia deverá propor aos países a manutenção da hora de verão, visto que foi onde surgiram a maioria dos votos. Apenas em dois países - Chipre e Grécia - foi indicado que se desejava manter as atuais mudanças no relógio. Só na Holanda, Dinamarca, Finlândia e República Checa é que quem votou demonstrou a vontade de manter o horário de inverno.

Bruxelas não tinha a obrigação de seguir os resultados da votação, pois esta não era vinculativa, mas Jean-Claude Juncker deu conta da atitude a tomar por parte da Comissão Europeia: "Se as pessoas querem que seja assim, assim o faremos".

A proposta terá, obviamente, que seguir os trâmites normais, ou seja, deve ser ratificada pelos eurodeputados. Contudo, explica também o jornal espanhol que Violeta Bulc, comissária europeia para os Transportes, calcula, numa meta que é ainda apenas uma hipótese, que a medida possa entrar em vigor entre 2020 e 2021. A curto prazo não se esperam alterações.

Fontes comunitárias afirmaram ao El País que dos 28 estados-membros sete já deram o seu aval à eliminação da mudança da hora, com os restantes a não darem qualquer indicação esclarecedora.

Com a hipótese não só de votar, como também de dar ideias e opiniões, 76% dos votantes afirmaram que a mudança da hora tinha um impacto negativo no seu dia-a-dia. A mudança da hora está assente em princípios que Bruxelas não crê estarem, todos eles, devidamente demonstrados, como um maior aproveitamento da luz do dia, ou ter mais tempo para o lazer antes de cair a noite.

Entre dados e opiniões contraditórias, a Comissão Europeia espera que, a confirmar-se a aprovação da medida, haja uma posição comum.

Desde a I Guerra Mundial

Foi na Alemanha e ainda durante a I Guerra Mundial que a mudança de hora foi implementada pela primeira vez como forma de poupar energia. Na época, Portugal esteve entre os primeiros países a adotar a medida que haveria de se adotada em todo o continente europeu.

Hoje a mudança de horário acontece nos últimos domingos de março e outubro, adiantando na primavera e recuando uma hora no outono. Juntamente com Irlanda e Reino Unido, Portugal está no fuso horário comum aos países mais ocidentais da Europa, existindo outros dois - o que reúne os 17 países da região central do continente onde os relógios estão, relativamente à hora nacional, avançados uma hora e o fuso horário dos países mais a leste onde a diferença para Portugal é de duas horas.