Bruxelas diz que decisão sobre novas sanções à Rússia tem que ser dos 28

UE renovou, por mais seis meses, sanções já impostas contra russos por causa do conflito na Ucrânia. Porém, novas sanções, por causa do caso Skripal no Reino Unido, terão que ser aprovadas pelos governos dos 28

Patrícia Viegas
Especialistas no local do ataque com gás Novichok, do tempo da URSS, no Reino Unido© D.R.

A UE renovou esta quarta-feira, por seis meses, as sanções contra 154 pessoas e 44 entidades, na maioria russas, envolvidas na desestabilização e no conflito da Ucrânia. Alexander Zakharchenko, líder dos rebeldes ucranianos pró-russos, foi retirado da lista por ter sido morto numa explosão num café de Donetsk a semana passada.

Apesar disto, avisou esta quinta-feira a Comissão Europeia, quaisquer novas sanções contra Moscovo, por causa do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal (e da filha deste) no Reino Unido, em março, terão que ser aprovadas pelos governos dos 28 Estados membros da União Europeia.

Países como Áustria e Itália são altamente relutantes em impor novas sanções à Rússia e até têm vindo a promover o estreitamento de laços com o país liderado pelo presidente Vladimir Putin. A ministra dos Negócios Estrangeiros austríaca chegou, inclusivamente, a convidar o chefe do Estado russo para o seu casamento.

Na quarta-feira o Reino Unido acusou dois agentes da secreta militar russa pelo envenenamento dos Skripal com gás nervoso Novichok, desenvolvido no tempo da União Soviética, tendo previsto apresentar hoje provas na ONU. Os Skripal foram hospitalizados mas sobreviveram ao ataque.

O ministro para a Segurança britânico, Ben Wallace, apontou o dedo diretamente a Putin. "Em última instância, evidentemente, ele é o responsável. Ele (Vladimir Putin) é o dirigente do Estado", afirmou, esta quinta-feira de manhã, o responsável do governo de Theresa May, em entrevista à estação BBC Radio 4.

A tensão entre o Reino Unido e a Rússia volta, assim, a subir. E a poucos dias do início do maior exercício militar da Rússia desde o tempo da Guerra Fria. "As manobras não são dirigidas contra outros países e estão em linha com a nossa doutrina militar, que é de natureza defensiva", declarou Valery Gerasimov, chefe do estado maior das Forças Armadas da Rússia.