França compromete-se a abandonar glifosato até 2021 mesmo sem lei europeia

Em novembro, a União Europeia decidiu renovar a licença do herbicida por cinco anos

Patrícia Jesus
A ministra francesa do Ambiente e da Energia, Segolene Royal, a retirar uma embalagem de glifosato da prateleira de um supermercado© REUTERS/CHARLES PLATIAU

O abandono pela França do uso do glifosato em 2021 é "um claro compromisso" do presidente Emmanuel Macron, segundo um porta-voz do Governo francês, que garante que tal medida será tomada, mesmo que não seja "consagrada na lei".

"O compromisso do Presidente da República sobre a saída do glifosato em três anos é um compromisso claro", afirmou Benjamin Griveaux à rádio Franceinfo, acrescentando: "Será feito em parceria com a indústria".

Depois da decisão da União Europeia, em novembro, de renovar a licença do controverso herbicida por cinco anos, Emmanuel Macron prometeu que a substância seria proibida em França "assim que fossem encontradas alternativas" e, o mais tardar, em três anos.

Mas na noite de segunda-feira os deputados franceses decidiram que a saída do glifosato até 2021 não estaria nesta fase inscrita na lei, apesar das exigências da maioria, com o governo a querer primeiro uma solução para os agricultores.

Embora tenha sido considerado que esta decisão constituía uma "humilhação adicional" para o popular ministro da transição ecológica Nicolas Hulot, o porta-voz do Governo argumentou com o progresso alcançado com a lei noutros locais, acrescentando: "concentramo-nos sempre nos detalhes, na espuma".

"Nicolas Hulot trabalha com atores do setor e com o INRA (Instituto Nacional de Pesquisa Agropecuária) e, se encontrarmos soluções industriais e científicas para permitir que a França abandone o glifosato em três anos, todo mundo lá terá vencido ", concluiu.

"A França resistiu aos seus parceiros europeus", acrescentou Griveaux, observando que, se a recomendação da Comissão Europeia tivesse sido seguida, "demoraria dez anos" até se encontrar uma saída.

Inscrever "na lei (...) não é garantia de que isso aconteça", disse o responsável, acrescentando: "tenhamos um pouco de confiança, paremos permanentemente de pensar que a restrição, a sanção, são as únicas maneiras de conduzir políticas públicas eficazes".