Caça à fuga em Washington. Quem é a voz da "resistência" na Casa Branca?

Trump questionou se a pessoa existe e exigiu, ao mesmo tempo, que o jornal revele quem é, a bem da "segurança nacional"

Patrícia Jesus
epa06845572 US President Donald J. Trump speaks as he meets with with President of Portugal Marcelo Rebelo de Sousa (out of frame) in the Oval Office at the White House in Washington, DC, USA, 27 June 27, 2018. EPA/ALEX EDELMAN / POOL© EPA

É identificado pelo The New York Times apenas como um funcionário sénior na Casa Branca de Trump, e foi ele (ou ela) a contactar o editor das páginas de opinião do jornal, Jim Dao, através de um intermediário, para contar a sua versão do trabalho na Casa Branca e de como há uma "resistência" silenciosa que contraria as piores ideias e impulsos de um presidente "amoral"..

Nas horas seguintes à publicação começou a "caça ao homem", para identificar o autor do artigo, com o próprio Donald Trump a questionar se a pessoa existe e a exigir, ao mesmo tempo, que o jornal revele quem é, a bem da "segurança nacional". Duas fontes disseram ao Washington Post que Trump ficou irado e "absolutamente lívido" com o artigo e disse suspeitar que o autor trabalha em temas de segurança nacional ou no Departamento de Justiça.

Segundo a CNN, a frenesim dentro da Casa Branca para identificar esta pessoa é tão grande que outros funcionários até já enviaram mensagens a jornalistas a perguntar nomes, sugerindo hipóteses. O Guardian escreve que a forma como o artigo está escrito também está a ser analisada, à procura de pistas. "O problema é que pode ser tanta gente, é quase impossível", admitiu um funcionário da administração ao Washington Post.

O editor das páginas de opinião, Jim Dao, não revela pormenores, nem sequer o género ou tipo de funções - e a descrição "sénior" pode aplicar-se a um número elevado de funcionários.

Em entrevista à CNN, Dao disse apenas que foi contactado através de um intermediário, há vários dias, e que falou depois diretamente com a pessoa em causa. Disse ainda que há um número reduzido de pessoas dentro do jornal que sabe quem é o autor da coluna de opinião.

Esta não é a primeira vez que o jornal aceita publicar uma opinião anónima, mas é muito raro. Tal como das outras vezes, proteger a identidade serve para proteger a segurança ou o trabalho do autor. "Sentimos que era um artigo muito forte, escrito por uma pessoa que tinha algo de importante a dizer e que fala por causa do seu sentido de ética e consciência", concluiu.