Amnistia: acordo UE-Turquia é "comprimido de cianeto coberto de açúcar"

ONG critica o novo acordo da União Europeia com a Turquia e acusa líderes europeus de "virar as costas" à crise dos refugiados.

John Dalhuisen, diretor da organização dos direitos humanos na Europa e na Ásia Central, diz que apesar da UE ter prometido que vai respeitar a lei internacional, o novo acordo entre Bruxelas e Ancara "é um comprimido de cianeto coberto de açúcar" que a proteção aos refugiados na Europa "foi forçada a engolir".

Sob os termos do novo acordo assinado na sexta-feira no Conselho Europeu entre os 28 Estados-membros da UE e Ancara, os migrantes que chegarem ao território grego serão enviados de volta para a Turquia se não fizerem um pedido de asilo ou se este for rejeitado. Por cada sírio que chegar, a UE compromete-se a ir buscar um outro e recolocá-lo num dos países da União.

Em troca a Turquia recebe apoios financeiros da UE e concessões políticas.

Muitos dos refugiados que chegam ao continente europeu têm como objetivo chegar à Alemanha ou outros países no norte da Europa e recusam-se a fazer o pedido de asilo na Grécia.

Em 2015, mais de um milhão de migrantes e refugiados chegaram à Europa através da Grécia de barco vindos da Turquia.

Só nos últimos três meses 132 mil pessoas fizeram o mesmo percurso.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirma que a decisão foi unânime entre os 28 Estados membros e o primeiro ministro turco Ahmet Davutoglu diz que foi um acordo "histórico" para o país.

Espera-se que com o novo plano menos pessoas se sujeitem à perigosa travessia de barco entre a Turquia e a Grécia.

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