Alpinista francesa resgatada a 6200 metros na montanha assassina

Foram 40 horas entre o alerta recebido na base da montanha vizinha e a notícia de que Elisabet Révol estava viva. Para trás, ficou o seu colega de escalada Tomasz Mackiewicz, morto

Dois alpinistas resgataram com vida uma outra alpinista francesa, que tinha lançado um pedido de socorro com o seu colega de subida ao Nagan Parbat, no Paquistão. Foram 40 horas de angústia, entre a manhã de sexta-feira, momento em que foi recebido o alerta no acampamento base do K2 (montanha vizinha na cordilheira dos Himalaias) e a madrugada de domingo, quando através das redes sociais se soube que Elisabeth Révol tinha sido encontrada. Para trás, ficou o polaco Tomasz Mackiewicz.

Segundo informações publicadas nas redes sociais, Elisabeth recupera agora num hospital de Islamabad, a capital paquistanesa, com uma grave úlcera de frio nas mãos e nos pés. Esta doença caracteriza-se pelo congelamento da pele e de outros tecidos causado pela exposição a baixas temperaturas.

O salvamento ocorreu em condições extremas. Uma equipa alpinista polaca que estava no acampamento base do K2 (onde se preparava para a primeira subida invernal à segunda maior montanha da Terra) foi transportada num helicóptero militar paquistanês para a "montanha assassina" (é das mais mortíferas entre os que tentaram a escalada) de Nanga Parbat.

Deixados a 4.850 metros, estavam bem longe da última localização conhecida de Elisabeth e Tomasz (estariam a 7400 metros), o casaque Denis Urubko e o polaco Adam Bielecki iniciaram de imediato a subida, enquanto que Jaroslaw Botor e Piotr Tomala prepararam um acampamento.

Denis e Adam fizeram o percurso sem parar, mesmo durante a noite, usando algumas cordas fixas instaladas no verão. Ambos conheciam o percurso e passaram nove horas até encontrarem Révol a uma altitude de cerca de 6200 metros. A descida até à base demorou cerca de cinco horas e meia.

Mais acima na montanha ficou morto Mackiewicz, resguardado numa tenda, segundo relatos do El País, com um edema cerebral. A BBC cita outras informações que dão conta que ele sofria de congelamento e cegueira de neve. "O resgate de Tomasz infelizmente não é possível", escreveu Ludovic Giambiasi, amigo de Elisabeth. "Por causa do tempo e da altitude, a vida dos socorristas estaria em perigo."

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