Alívio de sanções é objetivo de Kim e de Xi, mas os EUA não vão ceder

Kim Jong-un em visita a um empreendimento turístico costeiro

Pyongyang e Pequim têm interesse mútuo no aprofundar de relações económicas. Contudo, Mike Pompeo já disse que as sanções económicas são para manter

Poucas horas depois da cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse que as sanções internacionais deviam ser aliviadas de forma a encorajar a Coreia do Norte a avançar para a desnuclearização. Um passo que agrada não só a Pyongyang, mas também a Pequim, seu vizinho e grande aliado. Mas o secretário de Estado norte-americano veio deitar água na fervura no que respeita a essa pretensão.

"A China acredita que as ações a tomar pelo Conselho de Segurança da ONU devem apoiar os atuais diálogos diplomáticos e os esforços para a desnuclearização da península coreana", disse Geng Shuang, porta-voz daquele ministério chinês na terça-feira.

Esse aliviar das sanções terá feito parte do acordo alcançado em maio entre o líder norte-coreano e o homólogo chinês Xi Jinping: Pequim reabriria as portas em troca do fim dos testes nucleares e de mísseis balísticos. O encontro foi o segundo em menos de dois meses na sequência da adopção por parte de Pequim de sanções ainda mais apertadas a Pyongyang: a partir do final de 2017 a China deixou de importar ferro, chumbo e carvão da Coreia do Norte.

"Acima de tudo foi a decisão da China de aplicar sanções que estrangulou a economia norte-coreana e fez da remoção das sanções uma tarefa urgente para Kim", afirma Jeon Kyong-man, economista sul-coreano à Reuters. "Kim está a dialogar com Trump porque precisa que os Estados Unidos façam cair as sanções", completou.

Se a China já era o maior parceiro comercial deste país fechado, a tendência acentuou-se desde a ascensão de Kim Jong-un ao poder. Hoje as trocas comerciais com Pequim representam mais de 90% do total.

A dependência do regime dos Kim em relação ao vizinho do norte é uma oportunidade para a China, que vê com bons olhos as possibilidades de exploração de petróleo e de minérios - ou até a importação - entre tantas oportunidades de inundar a Coreia do Norte com exportações e investimentos em todas as áreas.

Por outro lado é também visto como prioritário para Pequim que o regime de Kim não entre em colapso, pelos receios de receber multidões de refugiados ou de, noutro cenário, se concretizar uma reunificação coreana com a bênção dos Estados Unidos.

Em maio uma delegação do partido comunista norte-coreano visitou parques industriais chineses. O modelo chinês é para seguir? "Se levarmos em conta a localização geográfica, o sistema económico, o tamanho do mercado, o estádio de desenvolvimento económico, as vantagens da cooperação sino-norte-coreana são insubstituíveis e difíceis de replicar", comenta o economista chinês Zhang Anyuan.

Pompeo esfria expectativas

Em visita a Seul e a Pequim, o secretário de Estado norte-americano esclareceu que, do ponto de vista de Washington, não vai haver mais benesses a Pyongyang além da suspensão dos exercícios militares conjuntos com os sul-coreanos. "Vamos obter a total desnuclearização e só depois existirá um alívio das sanções", afirmou, após se ter encontrado com os homólogos da Coreia do Sul e do Japão. A Pompeo, Xi Jinping transmitiu que quer a China a continuar a desempenhar um papel construtivo no processo".

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