Berlim pede explicações a embaixador dos EUA sobre apoio a conservadores

Richard Grenell, há um mês no cargo, disse querer "dar poder" aos conservadores europeus

A Alemanha pediu explicações ao embaixador norte-americano em Berlim, após este ter dito que iria apoiar os conservadores na Europa, numa entrevista ao portal de extrema-direita Breitbart.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Berlim pediu "um esclarecimento" a Richard Grenell, que está no cargo na Alemanha há menos de um mês e que tem esta quarta-feira um encontro marcado com o secretário de Estado Andreas Michaelis.

"Pedimos um esclarecimentos aos EUA e se os comentários foram feitos da forma como foi relatado", indicou o porta-voz.

Na entrevista, o diplomata disse que foi contactado por "muitos conservadores em toda a Europa", que lhe deram conta do "ressurgimento no progresso" deste movimento político, impulsionado pelo fracasso das políticas de esquerda.

"Quero apoiar outros conservadores em toda a Europa, outros líderes", acrescentou o embaixador.

Na opinião de Richard Grenell, a eleição de Donald Trump "permitiu que as pessoas dissessem que não autorizam que a classe política determine quem vai ganhar ou quem deve ser candidato antes que a eleição ocorra".

As suas declarações causaram polémica na Alemanha e na Europa, tendo o líder dos políticos liberais no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, afirmado que se deve defender a Europa contra Trump.

"Um diplomata não tem que interferir nas nossas eleições ou tentar influenciar a nossa sociedade. Respeitamos a soberania dos Estados Unidos e eles têm de fazer o mesmo", acrescentou.

Contudo, depois de ser atacado na rede social Twitter, Grenell pareceu recuar parcialmente na opinião, considerando "ridículo" poder apoiar partidos conservadores ou candidatos nas eleições na Europa.

Convite polémico

Esta não é a primeira vez que Grenell gera polémica, que nos primeiros dias do cargo fez o que parecia uma ameça às empresas alemãs no Twitter.

Agora, segundo a revista Spiegel, terá voltado a quebrar o protocolo ao convidar o chanceler austríaco Sebastian Kurz, crítico da política de abertura aos refugiados da chanceler Angela Merkel, para um almoço na embaixada dos EUA durante a sua visita a Berlim, a 12 de junho. Na entrevista ao Breitbart disse considerar Kurz "uma estrela de rock", admitindo que é um "grande fã" do conservador austríaco, que se aliou à extrema-direira para governar.

Merkel recusou comentar o almoço. "Como muitos outros, tomei conhecimento disso", afirmou simplesmente numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. Este disse por sua vez que também se tinha encontrado brevemente com Grenell durante a sua visita a Berlim. "O embaixador norte-americano pediu-me que me encontrasse com ele no aeroporto. Não retiraria grandes significado disso."

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