Aguirre deixa liderança do PP Madrid. Rajoy diz que entende

Demissão surge três dias depois de a polícia ter entrado na sede do Partido Popular madrileno no âmbito de operação anticorrupção

Esperanza Aguirre demitiu-se ontem da presidência do Partido Popular em Madrid, três dias depois de a polícia ter feito buscas na sede do partido na capital espanhola por suspeitas de corrupção. Uma das mulheres fortes da formação, tal como Rita Barberá, Aguirre disse nada temer mas assumir a responsabilidade política pelo que se está a passar atualmente. E sentenciou numa frase que muitos entendem dirigida a Mariano Rajoy, primeiro-ministro em exercício e líder nacional do Partido Popular: "A corrupção está a matar-nos."

Ao contrário de Barberá, que recusa abandonar o seu cargo no Senado espanhol e pressiona Rajoy a protegê-la até às últimas consequências das investigações sobre corrupção no PP Valência, Aguirre deixou um outro recado ao ainda chefe de governo quando questionada pelos jornalistas sobre se deveria ele também demitir-se por não ter conseguido evitar que o partido fosse corroído por múltiplos casos de corrupção. "Ele saberá o que tem de fazer. Estes não são tempos para personalismos, mas para sacrifícios e cedências."

Aguirre diz estar a assumir "a responsabilidade política, porque deveria ter sido mais vigilante". Referia-se ao ex-secretário-geral do PP em Madrid, Francisco Granados, suspeito de ter beneficiado de financiamentos ao partido. As buscas de há três dias decorreram no quadro da operação Púnica. Numa conferência de imprensa improvisada na capital, a ex-presidente da Comunidade de Madrid contou aos jornalistas que telefonou a Rajoy mas este não atendeu logo. Então mandou-lhe um sms. Ele respondeu dizendo "entendo-te". Mais tarde telefonou-lhe e ambos estiveram a conversar.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.