Agrediu ex-mulher e irmã e está agora na equipa de Bolsonaro

O deputado Julian Lemos, homem de confiança do presidente eleito, ajudará a fazer a transição do governo cessante para o atual. Confrontado com as notícias, diz não se intimidar. "Sou um homem com ausência de medo"

Vice-presidente do PSL, coordenador de campanha na região Nordeste, eleito deputado federal, homem de confiança do presidente eleito e um dos 28 membros da equipa, composta só por homens, que vai ajudar na transição do governo cessante para o próximo, Julian Lemos é o último embaraço de Jair Bolsonaro. O novo parlamentar é acusado de agressão a mulheres por três vezes, duas pela ex-mulher e uma pela irmã.

Numa das queixas de agressão, em 2013, Ravena Coura, sua ex-mulher, acusou-o de agressão física e de ameaça com arma de fogo - Lemos acabaria preso em flagrante. Já em 2016, Ravena voltou a queixar-se à polícia, afirmando que o então marido "é uma pessoa muito violenta" que lhe dissera "vou acabar com você, você não passa de hoje". Mais tarde, ela afirmou ter perdoado Lemos e as ações foram arquivadas.

Noutra investigação ainda de 2016, foi a vez de Kamila, irmã do deputado, declarar ter sido agredida e esmurrada por Lemos quando tentava separar nova briga do casal. Essa acusação ainda não foi arquivada.

Há, entretanto, uma ação em 2011 contra o membro da equipa de transição por estelionato, ou seja, fraude.

O próprio homem de confiança do novo presidente usou as redes sociais para retaliar as informações divulgadas pelos jornais Folha de S. Paulo, O Globo e Congresso em Foco. "Sou um homem determinado e com ausência de medo, se acham que vão me intimidar não viram nada, não fiz 1% do que sou capaz".

Dias antes, a propósito da nomeação do juiz Sergio Moro para a pasta da justiça, afirmara que "quem achou ruim é porque com certeza está com medo de ser preso". "Eu não vejo, por exemplo, um cidadão de bem ou um político com a conduta ilibada preocupado com o Moro na justiça".

Bolsonaro não comentou a chamada de Lemos para a equipa de transição, de que fazem parte todos os ministros já conhecidos e outros nomes muito especulados para o executivo, mas o vice-presidente, General Mourão, afirmou que o deputado se limitará a integrar esse grupo provisório e que não irá participar no governo definitivo.

O jornal ​​​​​​O Estado de S. Paulo, entretanto que Lemos é o provável líder parlamentar dos partidos que compõem o governo na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro foi eleito no dia 28 de outubro, toma posse a 1 de janeiro e já escolheu uma equipa de 28 nomes para ajudar na transição das pastas. Hoje e ontem, regressou a Brasília, para reuniões e contactos com membros dos outros poderes.

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