Aeroportos, fronteiras e transportes sob vigilância máxima

Segurança. Ligações com a Bélgica fechadas. Portugal em nível de alerta moderado, mas Baixa e Marquês de Pombal mais vigiados.

Lisboa

A PSP e a GNR receberam indicação para fazer um reforço da vigilância em determinados locais sensíveis de Portugal, na sequência de uma reunião, ontem, do Gabinete Coordenador de Segurança. O grau de alerta mantém-se o mesmo, moderado, mas as polícias voltam a ter uma maior atenção a aeroportos, portos, gares de autocarros e estações ferroviárias, à semelhança do que aconteceu depois dos atentados de Paris, a 13 de novembro. Segundo um oficial da polícia, Portugal poderá vir a tomar outras medidas em articulação com outros Estados europeus.

Os atentados no aeroporto e no metro de Bruxelas não levaram o nosso país a alterar o grau de ameaça, que se mantém "moderado", informou a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, procuradora Helena Fazenda, em comunicado. Mas há medidas que já estavam em curso. "Nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto já tínhamos em vigor desde Paris um plano ativado com equipas mistas de 20 elementos, a integrarem pessoal das equipas de Intervenção Rápida, os elementos à paisana da Investigação Criminal e do Corpo de Intervenção", esclareceu o porta-voz da Direção Nacional da PSP, intendente Hugo Palma.

"Nesta manhã [ontem], assim que houve notícia dos atentados de Bruxelas, foi desviada a equipa para o aeroporto da Portela como prevenção por causa da confusão esperada. Pouco depois houve um incidente com uma mala abandonada e rapidamente a equipa que já lá estava criou um perímetro de segurança." Em Lisboa outras zonas sensíveis que já estavam a ser vigiadas com insistência, como a Baixa e o Marquês de Pombal, continuarão a ter atenção particular da PSP. A polícia está a aproveitar o plano de reforços que já tinha estabelecido para a época da Páscoa e que inclui também a presença na capital portuguesa de elementos do Corpo Nacional da Polícia espanhola. "Haverá apenas alguma adaptação dos patrulhamentos" em função de informações partilhadas com o Serviço de Informações e Segurança (SIS).

Também a GNR decidiu reforçar a vigilância junto às fronteiras e nas redes viária e ferroviária como medida de precaução depois dos atentados de ontem de manhã em Bruxelas, disse à Lusa fonte do comando-geral da Guarda. Tal como acontece na PSP, esse reforço da vigilância não se traduz em mais elementos nos locais mas as patrulhas da Guarda têm indicações para estar mais atentos e efetuar maior fiscalização de viaturas, pessoas e comboios.
Este reforço da vigilância da GNR é idêntico ao ocorrido aquando dos atentados em Paris. A GNR está igualmente a partilhar informações com outras polícias europeias, nomeadamente com a Guardia Civil espanhola nos postos de fronteira mistos. A mesma partilha de informação com a congénere espanhola está a ser feita pela PSP.

Paris

Como país fronteiriço e alvo dos últimos ataques terroristas - em janeiro e novembro do ano passado - , a França decidiu aumentar o dispositivo de segurança. Ainda para mais quando Bruxelas, e mais especificamente o bairro de Molenbeek, foi identificada como o local onde foram planeados os atentados de novembro e onde terão sido compradas as armas do ataque de janeiro.
Ontem, além do cancelamento de todos os comboios com ligação a Bruxelas, nos acessos a Paris era visível também um aumento do reforço na segurança, incluindo a revista aos carros. O Conselho de Ministros francês reuniu de emergência para avaliar os ataques e no final os governantes voltaram a apelar ao reforço do combate ao terrorismo na Europa.

À imprensa, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, anunciou o destacamento de 1600 polícias e militares suplementares para vigiar e patrulhar as fronteiras. "Estamos em guerra e em face dessa guerra é precisa uma mobilização a todos os níveis", disse o ministro, sublinhando a necessidade de "reforçar ainda mais a coordenação na luta" contra o terrorismo.

O nível de alerta mantém-se no máximo desde os atentados de 13 de novembro.

Berlim

Na Alemanha, a reação das forças de segurança seguiram também a linha de outros países europeus. A polícia federal aumentou a segurança nos aeroportos, espaços públicos e fronteiras.
Em especial, "foram intensificadas medidas de proteção nas fronteiras, incluindo naquelas com os Estados do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) e em volta de infraestruturas críticas como estações de comboios e aeroportos", referiram as autoridades policiais alemãs em comunicado, citado pelo jornal The Local Germany. Os agentes foram alertados para ataques dirigidos às forças de segurança e estiveram nas ruas com equipamento de proteção adicional.

Em alerta máximo ficaram os aeroportos, como o de Frankfurt, onde as patrulhas policiais foram intensificadas. Em Berlim, no aeroporto Tegel, a plataforma de observação da pista esteve encerrada todo o dia "por prevenção".

As ligações de comboio com a Bélgica foram suspensas. A viagem terminava na cidade fronteiriça de Aachen.

Roma

O aeroporto de Fiumicino, em Roma, e o de Malpensa, em Milão, foram dois dos pontos onde o aumento de segurança foi mais visível em Itália. No primeiro caso, a polícia estava a usar cães pisteiros nas áreas de check-in. Já em Milão, os polícias patrulhavam as áreas para lá dos pontos de verificação dos passageiros.

No entanto, o estado de alerta manteve-se no nível 2, podendo apenas ser aumentado para o nível que precede um ataque em curso, explicou o ministro do Interior, Angelino Alfano. "Decretei o reforço de todas as medidas de segurança sobre os alvos sensíveis", acrescentou.

Atenas

Mais uma vez, os aeroportos centraram as atenções das forças de segurança. As estações de metro e as embaixadas foram alvo de patrulhas mais frequentes tanto por agentes fardados como por agentes à paisana.

A porta-voz do governo Olga Gerovasili referiu ainda que não estavam previstas medidas adicionais em relação aos refugiados e migrantes. "Não estamos a estabelecer nenhuma ligação entre esses dois temas. Isso seria uma derrota para a Europa", defendeu.

Madrid

O governo espanhol em funções decidiu manter o nível de alerta 4, de alto risco de atentado terrorista. O ministro do Interior, Jorge Fernández Díaz, explicou a decisão de manter o nível porque este supõe simultaneamente ameaça e prevenção.

Esta medida levou também ao aumento da vigilância nos aeroportos. O nível de alerta 4 pressupõe também controlo de passageiros nos aeroportos e estações e nas infraestruturas críticas, bem como planos especiais das forças de segurança.

Espanha vive neste nível de alerta desde os ataques de janeiro de 2015 ao jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris.

Londres

A maior presença de policiamento nos aeroportos, estações de comboios, bem como outros meios de transporte e fronteiras chegaram também ao Reino Unido. Com o primeiro-ministro David Cameron a admitir que também o seu país e outros na Europa enfrentam "uma ameaça de terror muito real".
O patrulhamento em locais chave aumentou, com o auxílio de cães nos portos e terminais de comboio como Calais e Coquelles, bem como o canal da Mancha, mas o nível de alerta manteve-se. O governo britânico optou por não o fazer porque este está já está no segundo mais grave, e apenas poderia ser elevado para crítico.

Moscovo

Com um sistema de segurança mais apertado do que o que existe na União Europeia, a Rússia indicou, através do seu ministro dos Transportes, Maksim Sokolov, que ia reavaliar a segurança dos aeroportos nacionais.

No entanto, neste país já desde 2011 que existem pontos de controlo obrigatórios nas entradas dos aeroportos. Esta restrição foi aplicada depois dos ataques suicidas no aeroporto de Moscovo, nesse ano, que mataram 37 pessoas.

De recordar que a Rússia mantém desde outubro tropas na Síria, enfrentando os opositores do presidente Bashar Al-Assad, o que inclui combater o Estado Islâmico.

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