Advogado imolou-se pelo fogo em protesto contra alterações climáticas

Buckel era um advogado conhecido pelo seu trabalho contra a discriminação de gays e trabalhava com grupos ambientalistas

Um advogado norte-americano imolou-se pelo fogo num parque de Nova Iorque, em protesto contra as alterações climáticas. David Buckel, de 60 anos, acabou por morrer e o corpo foi encontrado de madrugada no Prospect Park, avança a BBC.

Numa nota encontrada perto do corpo, Buckel explicava que se tinha imolado usando combustíveis fósseis, para simbolizar o dano que os humanos estão a infligir ao planeta. A mensagem exorta todos a serem menos egoístas de forma a proteger a Terra. A nota foi também enviada para vários meios de comunicação, incluindo o The New York Times.

"A poluição destrói o nosso planeta, derramando a inabitabilidade através do ar, solo, água e estado do tempo. A maior parte dos humanos no planeta respira agora ar tornado doentio pelos combustíveis fósseis e muitos têm mortes precoces - a minha morte precoce reflete o que estamos a fazer a nós próprios."

Na nota, Buckel garantia ainda que estava de boa saúde e que os seus objetivos eram nobres. A polícia considerou a morte suicídio.

Buckel era um advogado conhecido pelo seu trabalho contra a discriminação de gays e trabalhava com grupo ambientalistas. Num dos seus casos mais famosos, processou um xerife pelo seu falhanço em proteger Brandon Teena, um rapaz transgénero que foi assassinado em Falls City, e cuja história é contada no filme Os Rapazes Não Choram, de 1999.

Serviços telefónicos de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal e Europa

Ler mais

Exclusivos

Premium

Anselmo Crespo

Orçamento melhoral: não faz bem, mas também não faz mal

A menos de um ano das eleições, a principal prioridade política do Governo na elaboração do Orçamento do Estado do próximo ano parece ter sido não cometer erros. Esperar pelos da oposição. E, sobretudo, não irritar ninguém. As boas notícias foram quase todas libertadas nas semanas que antecederam a apresentação do documento. As más - que também as há - ou dizem pouco à esmagadora maioria da população, ou são direcionadas a nichos da sociedade que não decidem eleições.

Premium

Ricardo Paes Mamede

Tudo o que a troika não fez por nós

A crítica ao "programa de ajustamento" acordado com a troika em 2011 e implementado com convicção pelo governo português até 2014 já há muito deixou de ser monopólio das mentes mais heterodoxas. Em diferentes ocasiões, as próprias instituições em causa - FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - assumiram de forma mais ou menos explícita alguns dos erros cometidos e as consequências que deles resultaram para a economia e a sociedade portuguesas. O relatório agora publicado pela Organização Internacional do Trabalho ("Trabalho Digno em Portugal 2008-2018: da Crise à Recuperação") veio questionar os mitos que ainda restam sobre a bondade do que se fez neste país num dos períodos mais negros da sua história democrática.

Premium

João Gobern

Simone e outros ciclones

O mais fácil é fazer coincidir com o avanço da idade o crescimento da necessidade - também um enorme prazer, em caso de dúvida - de conversar e, mais especificamente, do desejo de ouvir quem merece. De outra forma, tornar-se-ia estranho e incoerente estar às portas de uma década consecutiva em programas de rádio (dois, sempre com parceiros que acrescentam) que se interessam por escutar histórias e fazer eco de ideias e que fazem "gala" de dar espaço e tempo a quem se desafia para vir falar. Não valorizo demasiado a idade, porque mantenho intacta a certeza de que se aprende muito com os mais novos, e não apenas com aqueles que cronologicamente nos antecederam. Há, no entanto, uma diferença substancial, quando se escuta - e tenta estimular-se aqueles que, por vias distintas, passaram pelo "olho do furacão". Viveram mais (com o devido respeito, "vivenciaram" fica para os que têm pressa de estar na moda...), experimentaram mais, enfrentaram batalhas e circunstâncias que, de alguma forma, nos podem ser úteis muito além da teoria. Acredito piamente que há pessoas, sem distinção de sexo, raça, religião ou aptidões socioprofissionais, que nos valem como memória viva, num momento em que esta parece cada vez mais ausente do nosso quotidiano, demasiado temperado pelo imediato, pelo efémero, pelo trivial.

Premium

Henrique Burnay

Isabel Moreira ou Churchill

Numa das muitas histórias que lhe são atribuídas, sem serem necessariamente verdadeiras, em resposta a um jovem deputado que, apontando para a bancada dos Trabalhistas, perguntou se era ali que se sentavam os seus inimigos, Churchill teria dito que não: "Ali sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui (do mesmo lado)." Verdadeira ou não, a história tem uma piada e duas lições. Depois de ler o que publicou no Expresso na semana passada, é evidente que a deputada Isabel Moreira não se teria rido de uma, nem percebido as outras duas.