Advogado de Slobodan Milosevic assassinado

Um famoso advogado sérvio, que esteve na equipa jurídica de defesa do ex-presidente da Jugoslávia Slobodan Milosevic, foi morto a tiro junto à sua casa, em Belgrado.

Dragoslav Ognjanovic, de 57 anos, foi baleado em frente do seu prédio no bairro de Novi Beograd, na capital sérvia. O filho, de 26 anos, foi ferido no braço direito, informou o Ministério do Interior em comunicado.

Como advogado criminalista, Ognjanovic serviu no início dos anos 2000 na equipa jurídica que ajudou a defender Milosevic no julgamento por crimes de guerra perante o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, em Haia.

Milosevic acabou por morrer na unidade de detenção do tribunal em 2006 antes que um veredicto fosse produzido.
Esse facto gerou, nos últimos dois anos, a falsa notícia de que o líder nacionalista sérvio tivesse sido inocentado.

Ao longo dos anos, Ognjanovic também defendeu alguns dos principais criminosos da Sérvia.
Vários membros das redes de crime organizado sérvio e montenegrino foram mortos em Belgrado nos últimos dois anos, no que a polícia descreve como uma guerra territorial relacionada com o controlo do mercado das drogas.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.