Advogada vai pela primeira vez a tribunal para processar a sua universidade

Anna Alaburda, que se licenciou em Direito e não conseguiu emprego, alega que a instituição inflacionou as estatísticas de empregabilidade do curso

Anna Alaburda, aspirante a advogada, formou-se há cerca de 10 anos na Thomas Jefferson School of Law, sendo considerada uma das melhores alunas da turma.

Hoje, com 37 anos, a californiana está a processar a escola de Direito, afirmando não ter conseguido um trabalho remunerado a tempo inteiro como advogada desde que se formou em 2008. A advogada gastou cerca de 136 mil euros apenas para obter o grau de licenciada, conta o The New York Times.

O processo levado à justiça por Anna alega que a escola inflacionou os dados de empregabilidade para os licenciados, como estratégia de marketing para atrair mais alunos para a instituição. A antiga estudante afirma que não se teria matriculado se soubesse que as estatísticas de empregabilidade eram enganosas.

Nos últimos anos, houve 15 processos semelhantes, iniciados por outros estudantes, contra outras instituições onde é lecionada a licenciatura de Direito. Este é, no entanto, o primeiro processo a chegar efetivamente a tribunal e será julgado no Tribunal de San Diego, na California. Nenhum dos outros casos foi a julgamento: foram arquivados, uma vez que os juízes de Illinois, Michigan e Nova York que os avaliaram consideraram que os estudantes ingressaram no curso por sua conta e risco e deviam ter conhecimento suficiente para saber que o emprego como advogado/a não é garantido.

Ao New York Times, o advogado de Anna Alaburda, Brian A., frisou que foram precisos "cinco anos para o processo ir para a frente. No entanto, é a primeira vez que uma escola de Direito irá a julgamento para defender os seus valores públicos de empregabilidade".

Alaburda, que pede uma indemnização de 125 mil dólares, cerca de 115 mil euros, considera que a licenciatura não foi um bilhete de entrada para o mercado de trabalho enquanto advogada, tendo apenas feito part-times em escritórios de advocacia e a rever documentos. O ingresso na Thomas Jefferson School of Law resultou, segundo ela, num gasto de dinheiro desnecessário: tem cerca de 154 mil euros em dívidas devido ao crédito que contraiu para pagar as propinas da universidade, com juros de 8 por cento.

A taxa de endividamento dos estudantes da Thomas Jefferson School of Law é das mais elevadas nos EUA: em média, cada aluno deve cerca de 125 500 euros. No entanto, a universidade, acreditada pela American Bar Association (ABA) em 2001, garante que as estatísticas de empregabilidade do curso são concisas e as alegações de Anna Alaburda sem nexo. "Temos um forte historial de licenciados bem- sucedidos, cerca de 7000 estudantes estão a trabalhar nacional e internacionalmente", afirma o reitor, Thomas F. Guernsey.

Nos últimos anos, devido à falta de veracidade nas informações dadas pelas universidades de Direito, para manterem um posto satisfatório no ranking nacional, a ABA renovou as suas exigências, obrigando as instituições a revelar informações mais precisas sobre os seus licenciados. O advogado de Anna afirma que os números disponibilizados pela universidade foram falsificados, o que explica as dívidas dos estudantes, muitos correndo o risco de entrarem em falência.

Já os advogados da instituição argumentam que Anna Alaburda nunca teve um prejuízo real, visto ter recusado um trabalho que lhe foi oferecido por um escritório de advocacia, com um salário de 54 mil dólares anuais - cerca de 49 mil euros. Alaburda contrapôs, através de documentos legais, "que recebeu apenas uma oferta de trabalho, pouco apelativo em relação a outros fora da área".

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