Acusado de abusos sexuais ex-dirigente da Igreja católica nos EUA

Um antigo dirigente da Igreja católica em Phoenix, no estado norte-americano do Arizona, foi acusado de abusar sexualmente de um rapaz, há 35 anos, foi hoje noticiado.

O bispo emérito Thomas O'Brien, que liderou a diocese de Phoenix durante 21 anos, foi acusado de abusos sexuais ocorridos em várias ocasiões, entre 1977 e 1982, de acordo com a agência noticiosa Associated Press (AP).

Tim Hale, advogado do queixoso, agora com 47 anos, disse que as acusações estão a ser investigadas pela polícia de Phoenix. As autoridades policiais recusaram fazer qualquer comentário.

A diocese de Phoenix indicou que O'Brien, de 81 anos, negou as acusações.

O bispo liderava a Igreja católica em Phoenix, quando várias dioceses nos Estados Unidos, incluindo Boston, eram acusadas de permitirem que padres suspeitos de abusos sexuais se mantivessem em contacto com crianças.

Num acordo de imunidade, negociado em 2003, o bispo reconheceu ter permitido que funcionários da Igreja, acusados de abusos sexuais, continuassem em contacto com crianças.

Semanas depois do acordo, O'Brien apresentação a resignação, em junho de 2003, quando foi detido pela morte de uma pessoa, num acidente de atropelamento e fuga. O bispo foi condenado a cumprir mil horas de serviço comunitário, sob liberdade condicional, por ter abandonado o local de um acidente.

Amanda Jacinto, porta-voz do Gabinete do Procurador de Maricopa, afirmou que o acordo de imunidade é válido, o que significa que o bispo não pode ser julgado por ter deixado funcionários da igreja, acusados de abusos sexuais, em contacto com crianças.

Jacinto acrescentou que o acordo não impede a Justiça de apresentar um caso contra O'Brien caso existam provas de pedofilia.

John C. Kelly, advogado que representa a diocese de Phoenix, escusou-se a comentar a queixa e as acusações contra O'Brien.

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.