ACNUR pede à UE que se prepare para nova vaga de migração para a Europa

Diretor para a Europa do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) criticou UE por não ter um "plano B" para fazer frente à chegada de refugiados

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) instou hoje a União Europeia a preparar-se para outro grande afluxo de migrantes, como o que, em 2015, provocou a maior crise migratória na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O diretor para a Europa no ACNUR, Vincent Cochetel, falava na Comissão do Interior, Justiça e Liberdades Civis (LIBE) do Parlamento Europeu sobre as propostas do comissariado para melhorar a proteção dos refugiados na União.

Em particular, pediu à UE que se prepare para novos fluxos de refugiados e imigrantes, algo que não se pode descartar tendo em conta que a situação nos países vizinhos dos 28 não mudou substancialmente nos últimos meses.

"O que ocorreu em 2015 (um milhão de chegadas) não deveria repetir-se", sublinhou Cochetel, que criticou a União Europeia por "não parecer ter um 'plano B'".

Explicou que, embora algumas das mais recentes propostas da Comissão Europeia em matéria de Migrações vão em boa direção, essas ideias "devem ser aceleradas".

O representante do ACNUR insistiu na necessidade de a UE melhorar as vias de acesso seguro para permitir aos migrantes entrar legalmente na União e criar alternativas às chegadas irregulares, e sublinhou que os acordos com países africanos devem também facilitar as entradas.

Em setembro de 2015, a UE comprometeu-se a realojar em dois anos 160.000 requerentes de asilo desde a Grécia e Itália e a recolocar 22.504 pessoas que já gozavam do estatuto de refugiado reconhecido pela ONU.

Só 8.162 requerentes de asilo tinham sido realojados (6.212 desde a Grécia e 1.950 desde Itália) e 13.800 refugiados com estatuto reconhecido num país terceiro tinham sido recolocados no início de dezembro de 2016.

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