Abuso sexual: cardeal americano renunciou mas diz que não se lembra de nada

Papa Francisco aceitou a renuncia do cardeal Theodore McCarrick, ex-arcebispo de Washington DC, acusado de abuso sexual de um jovem há mais de 40 anos. Vai ser julgado por tribunal canónico. O religioso, de 88 anos, diz "não ter absolutamente memória nenhuma" dos factos de que é acusado

O Vaticano anunciou este sábado, num comunicado, que o Papa Francisco aceitou a renúncia do prelado norte-americano Theodore McCarrick no Colégio dos Cardeais.

A nota da sala de imprensa do Vaticano referiu que Francisco recebeu a carta de renúncia do também antigo arcebispo de Washington, nos Estados Unidos, na sexta-feira.

Além de concordar com a renúncia de McCarrick como cardeal, o líder da Igreja Católica ordenou que este conduza "uma vida de oração e penintência" até que as acusações de abuso sexual de que é alvo sejam examinadas num julgamento realizado por tribunal canónico, indicou o Vaticano.

O religioso, hoje com 88 anos, disse que "não tem absolutamente memória nenhuma" dos factos que lhe são apontados quando foi afastado da posição que ocupava, a 20 de junho. Mas garantiu respeitar a decisão do Vaticano.

McCarrick aguarda agora uma investigação completa sobre as acusações de que acariciou um adolescente, há mais de 40 anos, na cidade de Nova Iorque.

Um homem, que tinha 11 anos na época do suposto primeiro abuso, diz que um relacionamento sexualmente abusivo continuou por mais de duas décadas. McCarrik, relatou o homem ao New York Times e ao Washington Post, era amigo do seu pai na altura.

"Fui criado para confiar nos padres, confiar na Igreja Católica. Era suposto acreditar que eles iriam sempre ajudar-me", disse o homem, identificado como James. "O que ele me fez arruinou a minha vida. Não consegui suportar. Aguentar - ter um emprego, casar, ter filhos. Perdi todas essas oportunidades por causa do que ele me fez", contou, em lágrimas.

Ler mais

Premium

DN Life

DN Life. «Não se trata o cancro ou as bactérias só com a mente. Eles estão a borrifar-se para o placebo»

O efeito placebo continua a gerar discussão entre a comunidade científica e médica. Um novo estudo sugere que há traços de personalidade mais suscetíveis de reagir com sucesso ao referido efeito. O reumatologista José António Pereira da Silva discorda da necessidade de definir personalidades favoráveis ao placebo e vai mais longe ao afirmar que "não há qualquer hipótese ética de usar o efeito placebo abertamente".