A popularidade de Salvini cresce, a ponte de Génova vai ser demolida

As sondagens mostram um crescimento significativo no apoio ao vice-primeiro-ministro e líder da Liga Norte, de extrema-direita. Consequência da queda do viaduto de Génova, que uma comissão do Governo quer demolir para evitar novo desastre

No sábado, durante o funeral das 43 vítimas mortais da queda de parte do viaduto rodoviário de Génova, Matteo Salvini, o líder da Liga Norte, e número dois do Governo italiano que junta os nacionalistas de extrema-direita ao movimento 5 Estrelas, foi cumprimentado com simpatia pela multidão que homenageava os mortos. Hoje, esse apoio simbólico mostra-se nas sondagens. A Liga Norte recolhe quase o dobro das intenções de voto (30%) que tinha em março (17%).

O efeito da tragédia do viaduto de Génova parece ser a causa mais próxima para este crescimento da popularidade de Salvini - o vice-primeiro-ministro que tem dado voz à xenofobia anti-refugiados, recusando-se a dar asilo e sequer a permitir que os barcos de refugiados que procuram os portos italianos possam atracar.

Desde o dia 14, quando parte do tabuleiro do viaduto ruiu, o Governo italiano tem procurado dar uma resposta que parece ser valorizada pelos eleitores. A comissão que o ministério das infraestruturas nomeou para avaliar as causas do acidente considerou agora necessária a demolição dos restos da estrutura, para evitar nova derrocada.

Num relatório enviado ao Governo, a comissão considera que existe "uma situação de perigo" num dos pilares do viaduto, que está "em risco de derrocada".

Essa tem sido também a posição do presidente da região da Ligúria, Giovanni Toti, que assegura que só com a demolição do que resta do viaduto se pode "garantir a segurança" daquela zona da cidade.

500 milhões para a reconstrução

Com cerca de 600 desalojados, que viviam em prédios na zona do viaduto, e uma repercussão internacional do acidente, o Governo acusa a concessionária do viaduto, a Autoestrade per l"Italia, de ser a responsável pela falta de manutenção da estrutura. Mas o Governo italiano anterior também, sabe-se agora, fora informado dos riscos que corria a estrutura rodoviária.

A empresa concessionária já avançou a disponibilidade de gastar 500 milhões de euros na reconstrução do viaduto, obra que prevê realizar em oito meses.

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Patrícia Viegas

Espanha e os fantasmas da Guerra Civil

Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.